sexta-feira, setembro 05, 2008

Nesta musica encanta-me a letra. Se um dia alguem ma puder cantar, sentida, então não há muito mais que pedir.



Para mim no céu foi espelhada a felicidade. Vem-me um contentamento por haver tanto azul e depois entendo que é preciso tão pouco para ser feliz.

segunda-feira, julho 28, 2008


O pedaço de vidro gélido reflecte o nosso quarto.
Alguém o colocou no tecto, como se nos quisesse fazer acreditar que era Deus que espreitava lá de cima, ou então, que lá em cima se perpetua o vazio translúcido, a verdade clara de que o paraíso é este mundo ou até a vida neste quarto...
E no entanto, a vida neste quarto mede-se na respiração ausente dos móveis velhos e nas lembranças que contam calados.
Mesmo quem entra no nosso quarto se transforma num ponto estático e mudo e ninguém sabe se ficando lá tempo de mais não acaba num móvel velho e pesado.

A rigidez do nosso quarto...

Podiamo-lo ter espelhado com o céu, em vez disso quiseste quatro paredes e eu pus lá os móveis velhos.

Quem os tira de lá? Quem abate a cal das paredes?

Primeiro há que tirar de lá esse espelho!

Vejamo-nos plenos e inteiros, diante de nós mesmos, pela íris nossa. Enxergar como quem fala consciente.

Primeiro Eu, depois Tu. Primeiro Tu, depois Eu.

Não são os teus olhos o espelho da minha alma, nem os meus da tua...o provérbio foi invertido. Recompondo-o, somos tudo mais!

E olha parece que já vejo o sol no nosso quarto...

sexta-feira, julho 25, 2008

De mim para ti.


Adeus!


Como se houvesse uma tempestade

escurecendo os teus cabelos,

ou, se preferes, minha boca nos teus olhos

carregada de flor e dos teus dedos;

como se houvesse uma criança cega

aos tropeções dentro de ti,

eu falei em neve - e tu calavas

a voz onde contigo me perdi.

Como se a noite se viesse e te levasse,

eu era só fome o que sentia;

Digo-te adeus, como se não voltasse

ao país onde teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens

e sobre as nuvens mar perfeito,

ou, se preferes, a tua boca clara

singrando largamente no meu peito


De Eugénio de Andrade

De ti para mim.

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,


gastámos as mãos à força de as apertarmos,


gastámos o relógio e as pedras das esquinas


em esperas inúteis.



Meto as mãos nas algibeiras


e não encontro nada.


Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!


Era como se todas as coisas fossem minhas:


quanto mais te dava mais tinha para te dar.



Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!


E eu acreditava!


Acreditava,


porque ao teu lado


todas as coisas eram possíveis.


Mas isso era no tempo dos segredos,


no tempo em que o teu corpo era um aquário,


no tempo em que os teus olhos


eram peixes verdes.


Hoje são apenas os teus olhos.


É pouco, mas é verdade,


uns olhos como todos os outros.



Já gastámos as palavras.


Quando agora digo: meu amor...


já não se passa absolutamente nada.



E, no entanto, antes das palavras gastas,


tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam


só de murmurar o teu nome


no silêncio do meu coração.



Não temos nada que dar.


Dentro de ti


Não há nada que me peça água.


O passado é inútil como um trapo.


E já te disse: as palavras estão gastas.



Adeus.

Poema de Eugénio de Andrade


quinta-feira, julho 24, 2008

10 Things I Hate About You

I hate the way you talk to me,

And the way you cut your hair.

I hate the way you drive my car,

I hate it when you stare.

I hate your big dumb combat boots

And the way you read my mind.

I hate you so much it makes me sick,

It even makes me rhyme.

I hate the way you’re always right,

I hate it when you lie.

I hate it when you make me laugh,

Even worse when you make me cry

I hate it when you’re not around,

And the fact that you didn’t call

But mostly I hate the way I don’t hate you,

Not even close…

Not even a little bit…

Not even at all.

quarta-feira, julho 16, 2008

Estou diante o mar, manto de água cristalina, que, contudo, me afoga os horizontes.
Onde está a ilha prometida? O pedaço de terra que os naufragos sonharam e chamaram paraíso?

Todo este mar azul e o som das ondas oscilantes, mais nada.

Mas, erguendo-me vejo além, distante, todavia vivo, um ponto finito. É Ela: a luz, a descoberta, a virgem nascida, o sonho prometido, a Ilha.
A minha ilha de pensamentos nascidos que, mais que ideias abstractas, são sonhos e desejos queridos.
Vou saltar para o mar, com o tempo haverei de lá chegar..

terça-feira, julho 01, 2008

Desistir? Que se cansem os outros, que procurem novas terras, novos ares, que eu cá me fico. Teimosia? O que for, tudo menos ingenuidade. O vento sopra, o mar é agreste, por onde se alcança porto seguro que não se avista? Na envergadura deste barco, já naufragaram todos os marinheiros.
Só, mas confiante, que em toda a tempestade vem a bonança...
Desistir? Que sejam os outros, eu não!

quarta-feira, junho 25, 2008


Minha pequena do olhar doce:


Deixa que te segure a mão, encosta levemente o teu gesto no meu regaço e cantemos, até o som das nossas palavras melodiosas nos embalarem para tão longe...


Eu levo-te daqui nos meus sonhos e tu escondes-me nos teus...


Somos tanto enquanto dermos as mãos!


Enquanto houver neste mundo a fraterna mão dada, brotam de nós todos os mistérios do mundo: somos Deuses, somos Anjos, o que for, o que há, o que estiver descoberto, o que se mantém em segredo e até o limiar entre os dois estados.


Amar


Gosto de viver.
Sim, na grande maioria dos dias.
Mas, só agora; antes não o sabia
E fingia que não gostava,
Sim, na grande maioria dos dias.


Salvo nos instantes em que te tinha.
Nesses havia o suave cheiro a orvalho
E o calor do verão no rosto,
Mesmo sem orvalho e sem verão,
Com a chuva salpicando o meu corpo.


Agora os dias sabem-me ao cheiro da terra molhada
E é verão.
Gosto destes dias em que invento o
Cheiro a terra molhada.


Sim, gosto de viver na garnde maioria dos dias.


Só não há mais orvalho,
Nem verão no inverno e sol na chuva.


Hoje sei me o luar de mim.
Não tenho noite e, se a tiver, é só porque
É o prenuncio da antemanhã:
Breve, suave e passageira.
Sou tanto quanto a Natureza
E fico feliz,
Naquele jeito de sorriso maturo dos anos que passam.


Só não há mais orvalho,
Nem verão no inverno e sol na chuva.


Então, de que é feito esse SÓ que pesa tanto?


(Quero-te)

terça-feira, junho 24, 2008

Rachmaninoff Prelude Op. 23 No. 7 and No.5/ Moment Musical 4

Bem dito Rachmaninoff.

sábado, junho 21, 2008



Enquanto dermos as mãos somos crianças ledas que fazem do mundo uma miragem cinematográfica, cujo final antecipado é uma vitória de um sentido de "não sei quê" que nos faz rir. Se nos doer a barriga foi só porque quisemos comer o algodão doce de sonhos e se te vir escorrer uma lágrima foi porque nessas esmeraldas de olhos, quiseste abarcar o sol num só olhar.

As frustrações? pintamo-las com aguarelas inventadas.

A ingenuidade consciente é o maior dos segredos dos Deuses, só ninguém quer acreditar...

Portanto, o melhor do mundo ainda são as crianças (tanto faz se grandes ou pequenas...).
(Fica bem, bem-me-quer)


Peço-te, não venhas ao meu encontro em sonhos.

Se me visitas o inconsciênte, faz, pelo menos, de conta que te roubaram a omnipresença e finge não me conhecer...não te quero nos meus sonhos!

De cada vez que os assaltas, caminho-te para a divinização - não te quero um Deus ridículo. Recuso-me a fazer-te mais do que és!

Porque se te sonho, vai-me escorregando os outros traços teus, aqueles imperfeitos; quero-os teus.

Amar-te? Só se for por inteiro.

E se te quiser coroar anjo, faço eu mesma as asas, numa manhã cedo em que te acordar com as mãos geladas e me gritares com raiva, só porque não és perfeito!

domingo, junho 15, 2008

Boa sorte. (A minha forma de desejar a todos um bom exame.)



"Penso, logo existo." declarou Descartes, em tom axiomático. De facto, o homem carrega no próprio pulsar do coração uma história evolutiva milenar que o tornou num ser analítico e racional, capaz de arquitectar associações simbólicas complexas, proceder a uma auto-análise e, sobretudo, ter consciência da sua existência. Oferecem-nos a visão clara de que somos seres transitórios e, de imediato, passam-nos para as mãos o testemunho do livre arbítrio, a partir do qual nos é dada total responsabilidade acerca da nossa conduta. Somos confrontados com a jornada atribulada de nos guiarmos e, simultaneamente, inquietados com todas as incongruências morais e éticas dum ser pensante que procura a auto-definição e, numa perspectiva mais abrangente, a felicidade.

De uma forma genérica, sucumbimos a uma de duas opções: ou levamo-nos pela embriaguez da inconsciência, ou tomamos a vida de olhos abertos e consciêntes, que se comprometem a ver atento o mundo, em oposição ao olhar plácido da anterior, mas com a certeza que as frustrações serão isso mesmo, frustrações, incapazes de serem adornadas pela ingenuidade anestésica da inconsciência. E, sendo assim, qual o caminho mais seguro? Qual o menos traiçoeiro, o menos violento? E qual o mais gratificante? Mas, sobretudo, qual o mais feliz?

A dúvida surge e mais violentamente ainda no espírito desfragmentado de Pessoa.

A sua poesia é um exercício claro de intelectualização, joga com simbolismos e tece toda a teoria de um fingimento artístico, que não deixa sombra de dúvida quanto à sua faceta analítica. Tudo nele é dolorosamente pensado e mesmo Caeiro, o heterónimo pelo qual desejou escapar às mordaças do pensamento, admite que "pensar incomoda como andar à chuva", deixando escapar a sua frustração. Fernando Pessoa sente o conhecimento como uma premissa que, instintivamente, vai desembocar na fuga da felicidade pois se, como afirma, o passado não existe, o futuro não nos pertence e o presente é só o elo de ligação dos dois tempos, sentir a felicidade conscientemente é sabe-la fugir por entre os dedos; o tempo não para e com ele passam os momentos fugazes e a felicidade nunca será mais que um instante transitório, pois que sabermo-nos donos dela é, então, vermo-nos passado, vermo-nos fluir e vermo-nos incertos. Assim:


"Leve, breve, suave

um canto de ave

sobe no ar que principía

o dia

escuto, e passou

parece que foi só porque escutei

que parou"


Fernando Pessoa Ortónimo


E não nos iludamos julgando que a solução está, então, em negar o pensamento. A inconsciência da ceifeira que o poeta elogia é o também adverso à felicidade, dado que não pensar é não existir. De uma forma mais simples, o estado de inconsciência liberta-nos da frustração de saber a vida e todos os estados de alma (incluindo, por isso, a felicidade) precários, mas é também deixá-la correr, sem se quer saber disso. Ser feliz sem o saber, é o mesmo que não ser.

A própria questão de Fernado Pessoa declarar a "pobre ceifeira" como a mulher ingénua que por isso é feliz, passa também pelo facto de a felicidade ser incubida a todo e qualquer sujeito que não ele; são sempre os outros, tema recorrente não só no Ortónimo como os heterónimos(todos "estrangeiros" na própria alma).

Nas palavras de Pessoa, a felicidade é um sonho utópico que se concretiza sempre fora de si.

Quanto à escolha de uma das duas posturas, cabe a cada um, não há forma de rotular e diferenciar uma única como certa. Ainda assim, arrisco-me a apostar na consciência, desde que se tenha o ímpeto de agir até ao fim: saber que tudo se constrói e que, afinal de contas, é só preciso não nos levarem a nossa "nuvem fechada".

quinta-feira, junho 12, 2008

Fernando Pessoa, Mensagem, Nevoeiro


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

quarta-feira, junho 11, 2008

Everwood

It's time for me to heal!




QUERER JÁ TENHO, FALTA NÃO PRECISAR.

QUERER SÓ QUERER.

SIMPLES, BONITO, VERDADEIRO.

quinta-feira, junho 05, 2008

Na Fábrica Do Nada

Na fábrica do Nada, cerras-te o meu coração em dois pedaços tristes, embalaste-os e escondeste-os longe da tua vista. Não se esconde o meu coração do teu, é feio!
Vais fabricar um mais bonito para colar junto a ti? Não me digas que o meu não serve, jamais...
Quando era matéria-prima era tão mais belo, era te tudo! Agora, manufacturado, não presta e já não diz nada, é como tantos que tu nem sabes que existem.
Eu não vejo outros, porque o resto é só escuridão e se há luz é só porque estás por perto...só.

(Eu vou .....-te até ao dia em que levar o óbolo ao barqueiro)


segunda-feira, junho 02, 2008


O que existe entre mim e Ela é este sabor amargo que a torna tão tua e eu tão alheia. Não entendo a graça da ingenuidade programada e os gestos meticulosamente estudados para, aos poucos e sorrateiramente, roubar-te mais que o suposto. Podemos continuar a jogar, eu lançarei os meus piões e os meus cavalos estarão apostos...diria até que se fosses rei, moveria todo um exercito junto para que o grito de guerra suado não fosse "Xeque-mate!". E, ainda assim, julgo que se perdesse todos os meus homens em combate, me despojassem, ficarias impavido e sereno, só porque se fez silêncio ao que de tanto fui...só para que seja dito, não é justo.

Vou amar-te, sim, esse é o meu eterno "Xeque-mate", face ao qual não há estratagemas e almas que me auxilíam.

Sou-te a noite e tu como dia, só poder-te-ía ser alheia e indesejada.

domingo, maio 18, 2008


É a Esperança que, mesmo ingénua, move o mundo e o Homem.

São as nossas mãos entralaçadas que nos tornam reais.

É a tua mão na minha que me faz acreditar,

É não a tirares que me faz sentir,

que mesmo longe, temos as

mãos enlaçadas.

Olha, afinal estes dedos cruzados tinham um nome,

Então este cabo de mim a ti (de ti a mim) foi baptizado...

Gosto de ti, minha amiga.