domingo, maio 18, 2008
Yann Tiersen - La Dispute
Há memórias que vagueiam por mim como gatos pardos que a noite esconde. De uma vez por outra, quando caminho na multidão e sem querer abstraio-me até do meu respirar metódico, vejo-as diante de mim. Já foram gatafunhos escarlates e dolorosos, já me fizeram chorar só por me sorrirem...hoje, se é por não saber de mim, já me estendem a mão e eu não choro. Só o travo amargo.
sábado, abril 26, 2008
A humilde lição que Aprendi
Nunca se sabe quando o pensamento vem claro até nós. O que o tempo nos ensina, tantas vezes, é que tudo se assemelha a areias movediças de formas diferentemente constantes, os segundos são arranjos de situações inesperadas e nunca calculadas e tudo parece um golpe de probabilidade aleatória, demasiado assustadora para que nos possamos debruçar convenientemente, sem fugir a sete pés. A verdade, claro está, é que por mais que as circunstâncias e suas conjecturas "adornem" o que nos chegua até à palma da mão, em ultmima instância é o nosso livre arbítrio que determina o que nos é dado. Como diz a minha Mariana, é infeliz quem o quer ser, a vida é miserável para quem a quer miserável...nem mais!
Com 18 anos feitos, tenho sempre comigo esta tendência melancólica e uma mordaça que me prende a vista e as mãos: não sei ver quem sou. Aos espelhos que o meu reflexo se mostra, vejo-me sempre digna de tão pouco, como se só a miséria fosse bem vinda...fui aprendendo a gostar da pena que sinto por mim e de sobreviver no desespero. De auto-estima pouco tenho e por me ver sempre este esboço riscado, não serve rigorosamente de nada as palavras de animo alheias, porque por mais verdadeiras que possam ser, simplesmente nunca as enxergo como honestas. Assim, habituei-me a esta identidade de menina frágil, desajeitada, gorda e feia, que sempre chora caso algo fuja do esperado. Aos 18 anos, é ainda aqui que estou, pairando e "Chafurdando em auto-comiseração", por isso, ainda hoje chorei, ainda hoje pedi não existir, desejei definhar e acreditar que da minha ausência ninguém notaria. Aparentemente, não há nada mais que me satisfaça. E sou "parva", como ainda hoje o meu pai mo disse, fiz um grande favor em deixar o Pedro, pois "assim como és Ana, não há quem aguente!"...Talvez. Sei que o diz porque me quer ver como o copo inquebrável e racional que é...Não sei se alguma vez o serei e suponho que a questão nem seja bem essa, mas sim se o quero ser...com isso preocupar-me-ei depois, eventualmente deixarei de ser tão perecível, uma coisa de cada vez certo? Como diz a Cátia, não posso querer subir a escadaria de um só folgo, sem passar por cada um dos degraus. Chegamos à primeira lição humilde do dia: Tenho de aprender a ser paciente, serenamente paciente. Vai custar, mas tem de ser. Vamos lá, um dia de cada vez...
Ainda assim, o que de mais importante me aterrou como óbvio aos pés, enquanto cambaleava por Algés, ainda embebida em lágrimas, foi que a grande responsável pelo fim da relação com a pessoa que mais amei, e eventualmente a única que amarei tanto, fui eu! Não o digo na minha qualidade de atracção pelo sofrimento e mutilação, mas na forma mais objectiva e sem anestesia que o posso fazer. Boicotei o que de melhor tinha na minha vida, pelo simples facto de não me achar suficientemente digna para tal, pelo simples facto de me achar despresível. Sei que grande parte do tempo não o fiz conscientemente, mas sei hoje que o fiz. E por isso, surgiu toda a insegurança que aumentava com as coisas mais banais: como mensagens não respondidas no segundo exacto. Veio, então, por associação, a necessidade de demonstrações exurbitantes de afecto que logicamente nem sempre se podem dar, caso contrário é estar a exigir demais. Não é porque as pessoas não nos amam da forma que queremos, que significa que não nos amem com tudo o que podem. Ora, eu era incapaz de entender isso.
A verdade é mesmo esta: é URGENTE gostarmos de nós mesmos, para podermos ser amados!
Tenho consciencia que aperceber-me de tudo hoje, com 18 anos feitos, não é mau de todo...há quem passe uma vida inteira sem o admitir...a questão foi que pela minha inexistência de amor próprio perdi quem de mais importante tinha na vida: O Pedro. Dói, dói muito, demais para o poder quantificar...crescer dói. Talvez agora seja tarde demais...sei que sempre me vai doer o ter deixado ir, pois que ele é...ele é MUITO. Mas sei que é disso que tenho de fugir: dos pensamentos que me levam à saudade e desespero, às noites mal dormidas...Tenho quem precise de mim, neste momento, e assim como estou não ajudo ninguém. Lá vem de novo a paciência, uma coisa de cada vez..agora é olhar-me e descobrir o que os outros de bom vêem em mim, amar-me, depois acolher quem está gritando por ajuda e eu quero acudir e não tenho tido como..
Depois, se o universo me perdoar, talvez, quem sabe...talvez um dia...
("Le Moulin"- Yann Tiersen- Vídeo retirado do YouTube)
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quinta-feira, abril 17, 2008
Littlest Things
Sometimes i find myself sittin' back and reminscing
Especially when i have to watch other people kissin'
And i remember when you started callin' me your miss's
All the play fightin', all the flirtatious disses
Id tell you sad stories about my childhood
I dont know why i trusted you but i knew that i could
We'd spend the whole weekend lying in our own dirt
I was just so happy in your boxers and your t-shirt
Dreams, Dreams
Of when we had just started things
Dreams of you and me
It seems, It seems
That i cant shake those memories
I wonder if you have the same dreams too.
The littlest things that take me there
I know it sounds lame but its so true
I know its not right, but it seems unfair
That the things are reminding me of you
Sometimes i wish we could just pretend
Even if for only one weekend
So come on, Tell me
Is this the end?
Drinkin' tea in bed
Watching DVD's
When i discovered all your dirty grotty magazines
You take me out shopping and all we'd buy is trainers
As if we ever needed anything to entertain us
the first time that you introduced me to your friends
and you could tell i was nervous, so you held my hand
when i was feeling down, you made that face you do
there's no one in the world that could replace you
Dreams, Dreams
Of when we had just started things
Dreams of me and you
It seems, It seems
That i cant shake those memories
I wonder if you feel the same way too
The littlest things that take me there
I know it sounds lame but its so true
I know its not right, but it seems unfair
That things are reminding me of you
Sometimes i wish we could just pretend
Even if for only one weekend
So come on, Tell me
Is this the end?
quarta-feira, abril 16, 2008
quarta-feira, abril 02, 2008
Sweeney Todd-Johanna II
"Goodbye, Johanna
You're gone, and yet you're mine
I'm fine, Johanna, I'm fine"
"You stay, Johanna
Johanna
The way I dreamed you were
Oh look, Johanna, a star
Buried sweetly in your yellow hair
A shooting star"
"And though I'll think of you I guess, until the day I die,
I think I miss you less and less as every day goes by
Johanna"
"If only angels could prevail we'd be the way we were
Johanna"
quarta-feira, março 26, 2008
Chove. Sentes?
Chove-me um chorar gélido de lágrimas ansiosas e de angústia. Que arrepio é este que sinto? Está frio por me chover e chove-me por andar deambulando só pela metade. Vês estas gotas desfeitas ao tocarem no chão? Olha para mim e para elas. Que diferença pode haver?!
(Vídeo retirado do YouTube)
Rabiscado por Apple à(s) 11:23 a.m. 1 pegadas
terça-feira, março 25, 2008
"Lisbon Revisited (1926)"- Álvaro de Campos
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.
Cidade da minha infãncia pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...
domingo, março 16, 2008
Diários (sós)
quinta-feira, março 06, 2008
Extractos: "A Tabacaria" - Álvaro de Campos
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
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segunda-feira, fevereiro 04, 2008
sábado, janeiro 26, 2008
quarta-feira, dezembro 19, 2007
domingo, dezembro 16, 2007
Rabiscado por Apple à(s) 10:06 a.m. 2 pegadas
quarta-feira, dezembro 12, 2007
THE END
FORAM 120 "POSTS", FORAM TANTOS, MAS POUCOS QUE NÃO FOSSEM PARA ESSE MEU OUTRO ALGUÉM QUE JAMAIS SE MANIFESTOU. MEU DEUS, AO MENOS QUE APRENDESSE A SER DIFERENTE E CONSTANTE, SERENA, PERFEITA!
FALEI SOZINHA E PARA PARTE INCERTA, SEMPRE SÓ. FORAM DEVANEIOS, AFINAL DE CONTAS, SOMENTE DEVANEIOS, ABSURDOS!
A CADA DIA QUE PASSAVA, ESTE ESPAÇO GERMINAVA COM UM NOVO INTUITO, NEM QUE FOSSE A MOTIVAÇÃO DE ESCREVER PARA QUE NO SILÊNCIO ESCUTASSE MEU SER.
AGORA PASSADAS TANTAS LETRAS, UMAS SENTIDAS, OUTRAS DISFARÇADAS, OUTRAS INVENTADAS, ESQUECEU-SE-ME A VONTADE DE ACORDAR O DESEJO DE PERPETUAR A CHAMA ACESA DE ENCONTRAR "AQUILO" EM MIM!
"AQUILO"? NÃO IMPORTA. SOU, CRONICAMENTE, DESAJEITADA, TRISTE E SÓ. E PARA QUÊ PERMANECER NA ÂNSIA? SOMOS TODOS TRANSPARENTES.
VOU GUARDAR TODOS ESTES TEXTOS E QUANDO ACABAR DETERMINAREI O FIM, OU TALVEZ NÃO... MAS, HOJE DIREI QUE SIM!
terça-feira, novembro 13, 2007
Lágrimas de Vidro
quinta-feira, novembro 08, 2007
ATÉ AO DIA DA MINHA MORTE
Escuto os violinos que cantam e naquelas cordas soa uma voz que me embala. As notas juro-as ver correr como se fugissem apressadas, já nem as vejo. E ainda assim, não preciso que sejam minhas para as sentir brotar-me por entre cada pedaço meu. Tomo-as como minhas e elas como se eu delas fosse.
Não sei sentir senão tudo, numa sinestesia exaltada, porque cada compasso é o mundo inteiro...
Dou por mim ansiando cada momento como derradeiro, tenho sede de viver!
Fico por aqui por toda a eternidade até ao dia anónimo da minha morte!
( Música"Grosse Fuge" De Beethoven)







