quarta-feira, janeiro 17, 2007















Estar não existe, existe ESTAMOS! Abraçar não existe, existe ABRAÇAMO-NOS! Eu não existe, Tu não existe, Existe NÓS, num presente e futuro eternos e perfeitos!

domingo, janeiro 14, 2007


SAUDADE


Oração ao meu único Anjo (com caracóis ou sem caracóis)


SoCoRRo!!!!

Sinto uma mão, vem subindo, escorrega, toca-me levemente...Outra mão que vem,agressiva, dura, firme, sufocante. Mão que me percorre, mão que prende o coração, põe-me em nu no leito da solidão; Outra mão! Mordaz, esbarra o seu toque contra meus lábios, vai me tirando de mansinho suspiros, rouba-me o tempo das minhas palavras para ti. Sim, agora sou escrava de Saudade; Ai, respiro nunca mais!
Que é isso que me dizes, Saudade, que não entendo...falas em nunca mais, falas chorando, falas comigo chorando, falas em partidas, em naufrágios sem vida...e de cada vez que me contas vejo labaredas que saem como fantasmas de ti...São chamas sempre acesas, fogo a pegar em mim...Não tardará e serei também um incêndio de dor!
O Coração bate, mas devagar, não vá a Saudade se aperceber...Vou me fingindo inanimada, vou chamando por ti... Anjo, Amor, preciso de ti!
Vou-te pedir: Tira-me daqui, Anjo meu!

Vou-me calar, a Saudade pode ouvir...


Sem ti tenho MEDO!


Diálogo entre Moral e Ética:

Estão Moral e Ética caminhando, de mão dada, como deseja Ética, como ordena Moral:
Moral:Vamos caminhar até não podermos mais, até doer respirar o teu nome! Vamos!
Ética:Gostava de caminhar contigo até já não poder mais, para depois rirmos com toda a trapalhada de paços que demos, rir porque faz bem...Seria bom que todos corressem de mãos dadas...
M:Aqui todos andam porque é assim que o tem de ser, é correcto e se é correcto fazemo-lo. Andaremos!
E:Mas porquê? Deviamos andar porque....(é interrompida).
M: Aqui ninguém pergunta, sempre foi assim, está escrito, se não o fizeres serás castigada. Anda!

Moral ou Ética?

Moral- Conjunto de normas estabelecidas socialmente e culturalmente.
Ética- Reflexão, crítica, justificação acerca das normas morais, segundo valores universais.

sábado, janeiro 13, 2007


Gaivota à solta no Mar...

Quando foi que te deixei solta nas palavras do Grande Mar? Quando foi que não mais soube falar gaivotês? Quando foi que o tempo nos roubou a vontade de "nos sabermos iguais"?
Procurei-te naqueles mesmos instantes, quis saber de ti no mesmo ímpeto de sempre. Procurei-te. Chamei-te. A corrente veio, as ondas que antes nos fundiam os sentidos (aqueles tempos em que te sabia ler e tu me falavas gaivotês. Aquelas horas em nos escutávamos, longe da consciência, no fundo da alma), tu vieste: a mesma graciosidade,(o céu fez-te um reinado azul e tu navegas nele soberba? Pior...), o mesmo jeito belo de te aproximares, a mesma sedução (fosses tu sereia e também atraiçoarias Ulisses! Musa da dissimulação), o mesmo encanto, tu mesma...E que podia fazer eu se não te afagar docemente??? A saudade, tu sabia-la minha dor, lançaste-a em mim, fazendo-me sempre tua aliada. Maldade!
O tempo que foi de recordações, de novo o gaivotês, de novo a cúmplice vida entre ambas, seres de plural em seres no singular...como me fizeste acreditar... Sobrevoamos os mares, agitamos nuvens, construímos salpicos de memorias felizardas( ainda perduram, resta saber se infelizmente ou felizmente), edificamo-nos, crescendo.
Mas...Todavia...No entanto e embora...Porquê?! Li mais do que desejaria, atrevi-me a explorar-te até mesmo nos cantos mais escuros, nas passagens mais interditas...Mentira! Nada li, nada fiz, não foi necessário, deste-mo a ler, eu li. Não mais falei gaivotês!
A verdade que nunca soube em ti, afinal tudo palavras enfeitadas do sonho que tu mesma querias saborear...E eu que fiz? Sorri ao ver-te partir, sorri no pressentimento de te saber já com FIM.
Amar? Palavra que tu própria desenhas-te na alma, pintaste-a com todas as cores vivas do mundo, só para que...só...somente amar a ti própria...Doeu a quem leu, a quem julgava, como eu, saber-te de salteado...Doe-me saber-te uma obra de arte plagiada e dissimulada...Doe-me quereres amar por amar-te...Doeu-me mesmo não sendo eu o apaixonado.

quarta-feira, janeiro 03, 2007



Só te queria dizer, dizer não por dizer, mas porque a minha própria existência o dita (a existência ditada à priori) que: TU+EU=TUDO(=)TUDO-EU=NADA. Só existe uma condição nesta equação, equação inegável e irreversível, que o todo do mundo, o todo que cresce a cada dia,minuto,segundo (uma terra que não para de crescer; o espaço menor a todo o instante, a população em progressão mais que constante) é o Nada de uma vida, da nossa vida, dos sonhos onde só existe a primeira pessoa do plural: Nós! Amo-te não à regressão, jamais, regressão nisso!

terça-feira, janeiro 02, 2007



Floribella


Por ocasião decidi ligar o televisor, decidi saltar e correr entre canais, anúncios de todo aliciantes, a correria que acalma, estagno em frente do ecrã, quase em absoluta reverência, hoje em dia as pessoas já não acreditam em Deus, substituíram-no pelo maravilhoso aparelho, afinal de contas sabe tanta coisa, fala tantas línguas e quando damos por nós ( a quem pretendo enganar???Aparelhozinho maravilha que não dá lugar à consciência) sacrificamos vontade, sacrificamos razão, sacrificamos anos de evolução, tudo em plena homenagem! Adulação. Ave Maria!
Após ter abarrotado todo o meu sistema nervoso com uma inumerável informação consumista, (um dia ainda irão descobrir qual o neurotransmissor responsável pela propagação da contagiosa manipulação, a indegistão irreflectida, e que entope o cérebro com lixo), sou invadida por um colorido de imagens berrantes, uma música do género "feira-popular", interrompendo o tal estado latente ao qual me submetera (tudo em nome do Aparelhozinha Maravilha, Ave Maria!); surge então uma rapariguita, cujo nome é hoje em dia tão conhecido, Floribella, que fala impressionantemente alto, denotando um constante mau humor, que esbofeteia orgulhosamente a gramática portuguesa e que mantém relações confusas com o patrão, o qual trata com tanta familaridade que será impossível sequer não questionar qual a sua posição hierárquica na tal casa. Enfim, nada que não fuja às banalidades das novelas, isto se não fosse a tal Floribella o modelo propagandeado, o qual todas as meninas devem seguir, um fenómeno sem dúvida curioso. De repente lá se foram os filmes da Disney, cuja as histórias derivaram na sua grande parte de contos de Andersen ou dos irmão Grim, os valores estão hoje por conta da TV e, em parte, à menina Floribella. Ave Maria!
Analisando a situação, as meninas Floribellas do futuro, a próxima geração, usaram penduricos engraçados, saias folheadas e caracóis no cabelo, com muitas, muitas, muitas Florzinhas! Terão um cem número de relações amorosas, com um cem número de sujeitos, não porque a paixão proliferará como a malária, mas sim por incapacidade e maturidade para assumir e compreender sentimentos, apostaram em joguinhos de sedução primários,vão choramingar pelos cantos até que uma árvore mágica miraculosamente resolva todas as situações. As Floribellas a aumentarem, a racionalidade a extinguir-se! Depois, que será feito dos restantes? só num jardim zoológico, que só se irá manter porque os Floribella e sua banda vão fazer muitos concertos Hiper-mega-ri-fixes para angariar fundos!
Por isso, por tudo, por nada, porque os heróis de hoje são a credibilidade ilusória e infantil de amanhã, vamos dar graças aos que ainda conseguem comandar introspecções pessoais, que são capazes de manter a sanidade mental. Ámen.

sexta-feira, dezembro 29, 2006





A viagem


A viagem mostrava-se longa, de todo cansativa, maçadora, incontestavelmente fastidiosa. O jornal lera-o eu já tantas vezes que as palavras, já gravadas como memórias, saltavam descuidadamente, tão céleres como um leve suspiro; bastaria o empregado, carregando o carrinho dos "snacks", me perguntar se desejaria algo, para de imediato responder com as conjecturas que terão levado a cabo a guerra no Iraque. Faço do jornal, do discurso alheio, a minha própria linguagem, certamente para me tomarem como intelectual prestigiado, o que de facto não o sou, mas a verdade é que se as palavras de Sócrates, Pessoa ou até mesmo Nietzsche aflorassem na vulgaridade de uma boca tão comum, talvez, não tivessem enraizado em moldes imutáveis, em grandes sumas, em conclusões geniais. Por vezes no discorrer de minha mente, encontro, por instantes, pensamentos, ideais de tão voluptuosa força que me fazem crer na ainda possível criatividade, essa que tanto julgo esgotada, no entanto quando dou por mim já tudo foi dito e sem saber, na mais pura das inocências plagiei. Criatividade: eloquência platónica!
O comboio que se desloca a uma velocidade constante, as leis da física, a inércia, a resistência que o corpo oferece às mudanças de movimento, as leis de Newton, o meu corpo que permanece em constante degradação, o Eu que não oferece oposição às mudanças, o mundo que se movimenta, eu que continuo estático. Afinal, também me aplico à inércia, ou por outra, a inércia ao se aplicar a mim, apoderou-me; agora tenho a alma transcrita nas leis da física, pronta para que qualquer um a compreenda, a decore, a analise...O comboio e Eu: os mesmos; a constância; a uniformidade!
Se soubesse dizer quantas pessoas embarcam nesta inércia...
Um bilhete, um de ida, talvez de volta, talvez ida e volta, o mesmo ramerrão, a vida que tem ida, a vida que não tem volta e no fundo as voltas que são sempre mais uma das idas, idas de regresso, mas sempre idas, sempre rotina, sempre inércia.

quinta-feira, dezembro 28, 2006


Radiohead - Creep
When you were here before,
Couldn't look you in the eye.
You're just like an angel,
Your skin makes me cry.
You float like a feather,
In a beautiful world
I wish I was special,
You're so fucking special.
But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here.
I don't care if it hurts,
I wanna have control.
I wanna a perfect body,
I wanna a perfect soul.
I want you to notice,
When I'm not around.
You're so fucking special,
I wish I was special.
But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here
She's running out again,
She's running,
She run, run, run, run, run.
Whatever makes you happy,
Whatever you want.
You're so fucking special,
I wish I was special,
But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here,
I don't belong me.

terça-feira, dezembro 26, 2006



PALAVRAS
Às vezes irrita-me não saber quantas são as palavras que vêem no dicionário, não ser dona de toda a semântica do mundo inteiro, quem me dera a mim...as letrinhas limitadas, bem feitinhas, num papel fenomenalmente branco, escondendo as imperfeições que tornam o branco pouco branco, o branco é feito de todas as cores, as outras cores: as imperfeições; as palavras que só vivem no mundo branco da banalidade...Vocabulário popular, todos usam-no, ditam-no com razão, sem razão, e eu a desejar ser a criadora do meu discurso, num mundo tão extenso, mesmo se com uma prosódia desigual, o diálogo torna-se num dejá-vu...E então? Amaldiçoar Gregos e Romanos pelo alfabeto que herdámos? Talvez...Mas, na minha humilde forma, falta-me a coragem. Falta-ma? não! A ousadia que me penetra o estado cognitivo, vou inventar novas letras, letras que se desenhem com todas as cores que é feito o branco, letras que conjugam somente o que é fundamental. Letras para te dizer que te AMO, como ninguém no mundo diz, palavras que suportem tudo o que me faz desejar-te!

segunda-feira, dezembro 25, 2006



Saudade
Já dói a alma, é difícil estancar a ferida aberta...é difícil? é impossível...e enquanto a saudade me vai corroendo por dentro, eu vou esperando por ti, os meus olhos só vêem o teu rosto, eu só oiço a tua voz...e enquanto gritam lá fora, chamando o meu nome em vão, pedindo que viva, eu vou cantando o teu nome, a eles não os quero...e enquanto espero, vivo por ti...e enquanto o sangue me abandona e eu vou suspirando devagarinho, vou chorando a tua ausência, vou perguntar "quando voltas meu amor?"...vou morrendo aos poucos...ficando só de mim o meu amor, porque esse é eterno...enquanto o tempo existir, enquanto o universo permanecer e mesmo com o fim de tudo delimitado, Amor será palavra que só tu poderás proferir...

domingo, dezembro 24, 2006

sábado, dezembro 23, 2006



Natal, sempre Natal
NATAL! Palavra já muito enraizada no nosso vocabulário, importada das tradições pagãs, pois da nossa à que solicitar o menino Jesus e não o famoso Pai Natal, e que constitui o imaginário de qualquer criança, custar-nos-ia se deste modo não fosse.
Embora actualmente seja mais o espírito consumista que perdure (basta ligar a televisão, basta tomar atenção aos anúncios) e ainda que esta seja a maior preocupação natalícia, o que talvez explique o meu crescente desinteresse por esta quadra, continuo teimosamente a alimentar uma ansiosa expectativa de que algo de absolutamente fabuloso venha a acontecer...uma leve chama, que perdura à sempre experiência de que o dia de Natal é tão comum como a simples segunda feira quotidiana, em que lá me vejo obrigada a levantar às seis da manhã, se não, e se me atrevo, pior, visto que, ao soar da meia noite no relógio, a frustração invade a casa, nada de novo, a frustração inevitável de quem ainda espera pela magia desta época, que afinal abunda em todos os livros e filmes que fundaram a minha infância, de certa forma é a pequena ligação que me faz ficar presa a esse mundo..Ainda que qualquer dia a chama se venha a apagar definitivamente e eu talvez deixe de acreditar, assim parece ser com tanta gente...
E todavia esta seja a minha infeliz perspectiva natalícia, seria pouco inteligente não louvar ainda que seja a felicidade que parece surgir com maior espontaneidade nos rostos que encontro, Muito Obrigado!
O que ainda é fundamental louvar, louvar hoje e sempre, é a importância desses seres humanos que curiosamente e surpreendentemente preenchem a nossa vida, não são meros rostos, são sim os verdadeiros "presentes", por isso muito obrigado a todos que de uma forma ou outra já me fizeram sorrir e a todos um FELIZ NATAL!

sexta-feira, dezembro 22, 2006



NINGUÉM
Nas profundezas do alto mar ouvem-se gritos trémulos, nas profundezas do mar alto mataram-se as sereias, trouxeram-se corpos náufragos de alma, nas profundezas do mar alto somos mais que marinheiros, somos menos que Homens, somos capitães há busca de vida...
Há muito que perdi a minha Terra de vista, mesmo antes que esta aceitasse os quilómetros que dela corri, já eu não a achava em mim. Fugiu-me pelas veias...Abandonámo-nos mutuamente. Eu vivia numa barraquita, construída ilegalmente pelo meu pai (pai que já não tenho), com a minha mãe e os meus doze irmãos. Nestes últimos tempos (por lá o tempo não se limita a passar, ele corre com o vento e corre ainda mais célere em ti), a minha mãe adoeceu gravemente, ou por outra: a minha mãe preparava-se para a morte, porque em terra de pobre ninguém fica doente, não o pode fazer, e quem o faz, fá-lo com o termo bem vincado no corpo; ou se vive, ou se morre. Já todos trabalhávamos, mesmo as crianças, todos trabalhávamos, todos sucumbíamos à fortuna da não identidade: não éramos, jamais seríamos Humanos, limitávamo-nos ao título de seres à luta pela sobrevivência. Não sonhávamos, não conversávamos, não brincávamos; deambulávamos, matávamo-nos por um pedaço de pão. Quando a minha mãe por fim faleceu, enterramo-la no quintal. Fui eu e o meu irmão mais velho que cavamos a vala, eu via como a humilhação lhe escorria pela cara, como fazia a todos nós..."Merecias mais do que um buraco no chão, mãe, merecias o mundo inteiro em lágrimas!", exaltávamos esta frase no silêncio da mágoa, mas não a proclamamos...ninguém se atrevia a falar, pois no exacto segundo que o fizéssemos seriam gritos de dor: fala-se do que se conhece e por lá é tudo quanto é comum. Foi então que prometi a mim mesmo: comigo será diferente!
Hoje, num barco tão mais do que pequeno, à deriva no oceano, somos 14, metade do que fomos, não sei se chegarei vivo. Ironicamente, deixei a morte sentenciada pela morte de quem ousa ambicionar...é caso para dizer que não me arrependo!
Calculamos mal os suplementos alimentares necessários, agora só resta uma bolacha por cada dia, a cada um, e a água bebemo-la do mar. Já todos gritamos com todos, quando a sorte tende a se perder o hábito é procurar um culpado, no entanto mantemo-nos todos unidos à fé de chegarmos intactos a melhor pátria, de uma maneira ou outra sabemo-nos irmãos no mesmo sonho.
Vi quem morresse à fome por um sonho, vi quem endoidecesse por ele e por ele se matasse. O sonho de sermos Alguém vale a vida de quem não é Ninguém!

terça-feira, dezembro 19, 2006





À ESPERA


Ás vezes quando dou por mim já fui levada para junto de ti e sem que me aperceba estás-me tu a levar contigo...Quantas vezes já não aconteceu? Tantas que nem tu nem eu sabemos de cor...de cor sabias tu todas aquelas músicas com que nos braços, de mansinho, me pedias para adormecer, pedido que eu te concedia sempre, só por saber a doçura do teu colo. Lembro-me da melodia, não me lembro dos versos (ainda era tão pequenina), os gestos ficam, as palavras leva-as o tempo. Gostava do teu cheiro, em pleno Inverno fazias-me querer na Primavera e eu leda acreditava, como quando me beijavas eu achava sempre que os teus lábios eram de seda, até te perguntei ( e tu o que disseste? riste-te?)! Fazias-me crer que o mundo ficava já ali diante de mim, que aquela era a vida, cheia de sensações coloridas...Porque não me revelaste que afinal o mundo aglutinava todos os seres humanos, e não só nós duas? porque não me contaste que a vida é como o jogo das escondidas (há quem vem e quem vai)? porque não me avisaste que te ias esconder para nunca mais voltar?!...tive de aprender a jogar sozinha. Agora com trinta anos feitos continuo à espera que me digas o teu esconderijo, trinta anos depois ainda espero por ti mãe!

segunda-feira, dezembro 18, 2006


Se perguntarem por mim digam que voei para o infinito...

domingo, dezembro 17, 2006

O engelho faz me falta, gostava de saber usar com classe as palavras;
Imaginar frases inventadas;
Todas as cores numa mancha branca de papel,
O que queria eu era a perfeição...

Fazer-te ver de que cor é o meu amor
Encarnado, talvez..
Lilás?
Interagir com a tua alma,
Zelar pelo teu coração,
Encontrar-te
Sempre ao meu alcance.

Mesmo sabendo que já tudo foi dito
E que em nada acrescento a todos os poemas de amor
São palavras minhas estas que escrevo
Embora não as mais belas,
São a minha palavra em que sempre te irei amar...



Era uma vez...

Era uma vez uma gotinha a cair em alto mar;
Era uma vez um naufrágio de amores;
Era uma vez um céu rabiscado de cores;
Era uma vez um único crepitar;

Era uma vez e uma única vez...
A vida vem, a vida vai
não à regressão..
Já todos fomos gostas, caímos num vasto mar, aprendemos a navegá-lo, crescemos, em breve já ondas formávamos.
Acontece a todos, tentamos erguer de nós a torre de Babel, queremos chegar ao géneses da euforia, de amar, fazemos do corpo o leme e este, mais cedo ou mais tarde, naufraga em ilha deserta...Todos nós fomos náufragos um dia! Já fora da vanglória, aquela ousadia tão característica de ondas recém chegadas a mostrarem de sua presença, passa aquela ardência, a alma tem um rabiscado de cores menos garridas, mais brandas. Num crepitar silencioso perde-se uma gota, perde-se um cristal particular, é sina todos nós crepitamos...No entanto, surge outra gosta vinda do céu, chove num mar pobre e rico, porque à sempre quem vem e quem vai. Das nuvens olha quem já passou, do céu quem ainda vai passar.

sábado, dezembro 16, 2006

GOSTAVA
DE SER
O QUE NÃO SOU...
NÃO
APARENTO
O
QUE
QUERIA
SER
PARA
TI
QUERIA
SER
TODA
A VIRTUDE
QUE MERECES
QUERIA
TER
OUTRO
CORPO
PARA
TE DAR

INTERMINÁVEL (COMO O MEU AMOR POR TI)...
Já não sei quantas vezes examinei o tecto, aparentemente branco, já localizei todas as suas nuances, cheguei à conclusão que até mesmo o branco é feito da heterogeneidade das cores, como o ser humano: dum mesmo molde uma variedade vasta. Apesar desta descoberta continuo sem conseguir dormir, são duas da manhã... Se é verdade que todos nós temos insónias, a minha levou-me a um estado latente de solidão, em vez do usual cansaço e irritação que costumam provocar. Todos dormem, somos quatro, eu não durmo, eu estou só...Vem me uma tristeza sufocante, um desespero melancólico, acompanhando-me num NADA que se aconchegou a mim. O meu corpo gelou a alma, é o que se faz aquando do desaparecimento de um dado membro...Quis procurar-te, vagueie casa, vagueie rua, vagueie, vagueie, vagueie...Tu não estás onde te possa encontrar...E fico presa nesta noite fria e densa, fico nesta escuridão perdida, sou um NADA, a tua ausência já me destinou ser incompleta...fazes me falta...na tua ausêcia o tempo pára, faz me prisioneira, porque os dias passam e não há se não noite, porque a dor fica e eu estou num coma irreversível até voltares...Amar-te faz me só existir em ti, sem ti sobra o amar, mas eu sobro só metade...Por isso te peço, porque não sei já viver sem ti, fica comigo para sempre...
AMO-TE E SEMPRE

CIÊNCIA VS RELIGIÃO
Será que integrarmo-nos num globo, o qual não é mais do que um mero planeta em todo o Sistema Solar e que por sua vez é uma pequena fracção de todo o incomensurável Universo, não fará de nós pequenos pigmeus numa existência caótica? ou será que esta mesmo grandiosidade não exige a presença de um omnipotente "arquitecto"? Eis aqui a raiz de conflito entre ciência e religião! Duas perspectivas distintas sobre o mundo e a vida que nos coube, dois saberes, o primeiro empiristico e o segundo transcendental, que, no entanto, partem da mesma fonte: o Homem. Assim, se na vida há dois prismas de observação, qual deles escolher? qual o mais viável? ou ainda em qual confiar? Ciência ou religião?
Creio que a questão aqui jaz na forma como a própeia sociedade tem evoluido, pelo que a contextualização com a mesma é fundamental. Somos um produto de uma sede inesgotável de avanços tecnológicos; actualmente a crença humana tem procurado o tal prisma de vida que oferece uma visão mais exacta e menos abstracta do real; os Homens vivem de valores assentes em critérios pessoais e não absolutos e há muito que repudiamos bases dogmáticas e intemporalmente abaladas, pelo que a religião há muito que deixou de aliciar-nos com o seu prisma. Claro está que muitos considerarão que a preferância num modo empirístico de existência é de todo uma conduta dúbia e incerta, já que das ciências quantas e quantas teorias não foram já refutadas?! Inúmeras é certo e continuarão a sê-lo, já que os meios de verificação experimental serão cada vez mais e melhores. Outro problema ainda se coloca que será o facto de todo o conhecimento e pesquisa ciêntífica nascer do tormento do espírito, na medida em que lhe estão associados sentimentos como a inquietude e até mesmo a frustração. De cada questão resolvida é outra que ressalta e alarga a lista, quase interminável, dos "porquês". Contudo, é desta procura incessante, desta jornada pela magnitude do conhecimento que reside o "exilir da juventude"; a mente quer voar naturalmente e não pode, nem deve, ser "ferrada" com moldes pré-feitos de mandamentos , e fechada em paredes "anti-dilatação", produzidas por dogmas irrefutáveis. Se David afirmou que "Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos", hoje o céu manifesta algo diferente: a ousadia de transgredir os limites da condição humana...Claro está que seria imprudente até mesmo, se me arrisco, patético ignorar, ou por outra, não reconhecer a influência da religião na esfera cultural, incluindo na nossa própria identidade, porque ignorar o prisma da vida dogmático, não quer com isto dizer que se o tenha de banir ou denegrir-lhe importância! Muitas são as vezes em que a crença na perenidade de algo (seja Deus, ou qualquer outro simbolismo abstracto), especialmente em situações de grande tensão, afaga quem a procura por um conforto e segurança fabulosos, que talvez surja da vontade de estabelecer uma relação antitética à nossa própria condução, condição essa terminável. Enfim, seria como Pascal afirmou: "O coração tem razões que a razão desconhece", todavia ao coração à que por sapiência não deixar reinar sozinho, há que também reinar com a mente.
A cada um cabe o direito de escolha enquanto ao prisma da vida que pretende encarar a sua existência, a cada um cabe o direito de decidir se há-de embarcar numa viágem à volta ao mundo com Darwin ou ficar em terra a rezar...