quinta-feira, agosto 09, 2007

Magnólias e Violinos





“Ele”, cujo o nome deixou desvanecer na memória, só pela preguiça de ser alguém, acordava todas as manhãs com o nascer do sol, só porque se esquecia de fechar as percianas e, por isso, era incomodado pelos raios de luz que incidiam sobre a sua testa de marfim. Calçava uns chinelos rotos pelos anos e rastejava para a casa de banho, imunda, porque também “ele” não gostava do termo “limpezas”, achava-o desajustado e inutil, fosse como fosse, mais cedo ou mais tarde, a casa de banho voltaria de novo a servir de maternidade a bactérias; e não importava se pela casa abundassem ratazanas de todas as espécies e tamanhos, ou baratas, felizmente não tinha vizinhos que o incomodassem com ninharias como essas e podia viver em paz e sossego, porque também “infecções” eram coisas que só aconteciam a essa gente ingénua que não aceita o facto que um dia terá de partir.
Não saía de casa, a sorte tinha-o brindado em ser o único sobrinho vivo de um tio que não tinha mais familia e que, assim, lhe havia deixado a furtuna imensa. A única ocasião que o fazia era para esvaziar a caixa de correio.
Gostava de cartas, na verdade, era o seu único prazer: adorava rasgar os envelopes, sentir o cheiro do papel e da cola que cerrava um presente perpetuado no tempo, adorava prever que palavras de lá sairiam, como sairiam e porque letra sairiam… “Ele” não só as amava, coleccionáva-as!
Certa vez, quando se apraltava para o seu ritual, reparou que por entre o molho de cartas usuais de bancos, água, luz e publicidade, se destacava uma letra miudinha e azul. Não tinha remetente e o destinatário não seguia o protocolo estipulado, antes disso podia se ler: “Para alguém…”.
Estranhou aquele envelope, tinha uma estranha forma e emanava um aroma de ortelã. Talvez fosse um desses mafarricos que nada mais tem para fazer que moer a vida, já gasta, dos outros, com partidas de roubar a paciência. No entanto, havia algo, naquela estranha letra, de encantador, de misterioso; estranhamente, sentiu o seu coração crepitar, só poderia estra a morrer, pensou, porque “Ele” não aprendera o vocábulo “emoção”.
Abriu a carta. Aquela letra miudinha e azulada transformara-se numa letra bicuda e vermelha e o aroma aducicado de ortelã num cheiro nausebundo a sangue; e, todavia, “Ele” não se assustou, fora embebido naquele feitiço duro e cruel, porque aquele alguém não havia escrito qualquer carta, havia escrito com a própria vida, toda e cada letra.
“ Não pertendia este fim. O prelúdio que se faz soar esta noite é toda uma mágoa à própria existência humana. É um descontentamento desmedido de uma racionalidade ilusória e impune faça à nossa brutalidade grotesca animal. Foi o que me aconteceu!
Outrora sabia crescer neste refugio natural, onde o céu ainda se enche de estrelas e a manhã se cobre de um manto verde e florido com magnólias. Sempre amei as magnólias e as estrelas e tudo teria sido perfeito se somente a elas me entregasse…ousei muito mais, desejei a musica, desejei o som daquele violino, desejei o amor de quem o tocava.
Tinha um esbelto encanto e uma soberba presença, poder-se-ia dizer que fora a melhor obra da Natureza!... Ensinava no conservatório, mas todos os fins de semana regressava à sua terra e em todas essas visitas trazia consigo o rechei de novas melodias.
Todos se orgulhavam dele, porque era o mais inteligente que havia, porque sabia tudo acerca de tudo e porque tocava aquele violino; era como se em cada música, aquele pedaço, de madeira e corda, a cada compasso, se metamorfizasse em forma humana. Então, com a devida licença, moldava em si o mais profundo gesto nosso, fezendo-nos Dós e Sis, Rés e Mis; uma odisseia pela alma huamana apaixonada.
Mas, se todos gostavam de escutar as notas do seu violino, eu gostava de venerar aquela alma, absorvia-me naquela existência e enaltecia aquela figura. Sem que soubesse, olhava-o tão profundamente e guardava-o dentro de mim, só para mim…
Passei a segui-lo secretamente, fazia de tudo para lhe fazer notar a minha presença; o que eu mais queria fosse que me tocasse na lívida pele, assim como as cordas daquele violino; eu seria, então a sua sinfonia…
Mas, com efeito, na sua pauta musical só tinha a força para ser a pausa, nunca a nota…
Amar apaixonadamente é um atentado à superioridade Humana! Instantaneamente, ela torna-se maestro e toda a conduta é dirigida em agudos dolorosos…a embuscada começa. A minha então não tardou: estava sucumbida a uma raiva pulsante que chorava um amor sem dono. Naquela noite, compus a sonata mais fabulosa de todas. Na manhã seguinte, procurei-o, levei-o até à floresta. Lá mostrei-lhe a minha obra e pedi que a tocasse. Assim o fez.
Toda a duranção de notas foi respeitada, desde as semi-colcheias às seminimas, a acentuação perfeita, as pausas exactas, e contudo não a soubera tocar! Seria preciso tão mais que um violino para o poder fazer…seria preciso um “amo-te”…e, isso, simplesmente não me poderia dar.
Fechei o compasso, terminei a sinfonia dolorosa com um punhal. Matei-o. Matei-me.
Escrevo agora, pelas ultimas gotas de sangue que me restam, que não há mais ridiculo nem mais poderoso que Amar…
Um beijo de quem parte…
Calam-se os violinos!”
“Ele” chamava-se Amadeu, lembrava-se agora, e nem sempre vivera assim. Fechara-se naquele casarão aquando da morte da sua mulher. Também ela gostara de magnólias e de olhar o céu. No fundo do sótão, ainda guardava todos os seus quadros. Nunca mais ousara tocar violino…ainda se recorda da manhã cinzenta, em que trifante, ela lhe oferecera aquele “stradivarios”. E sem saber escrevia agora estas letras inventadas, de uma história trágica, chamando por ela, saudando o final da sua estadia num mundo que não sabe amar. E porque ninguém já lá vai, quando o encontrarem, Amadeu já será o pó das estrelas, pintado no céu.

SILÊNCIOS PRÓPRIOS


O SILÊNCIO É FEITO DE TODAS AS FORMAS. NA LOJA DOS SILÊNCIOS, HÁ UM SENHOR QUE OS MOLDA; ENTRAMOS E PERGUNTA: "ENTÃO E COMO QUER ESSE SILÊNCIO?". CADA UM TEM UM PEDIDO PRÓPRIO, MAS ISSO NÃO LHE IMPORTA, PORQUE TEM-NOS E SABE-OS TODOS NA PONTA DOS DEDOS. HÁ AZUIS, AMARELOS, ARCO-ÍRIS, HÁ EM DÓS E MIS ( E TANTAS OUTRAS NOTAS), HÁ OS IMPONENTES, OS TERNOS, OS ARREPIANTES, OS MEDROSOS, OS LEVES, OS GRANDES, OS PEQUENOS, HÁ ATÉ UNS QUE DURAM UM INSTANTE E AQUELES QUE DURAM TODA A VIDA...
HÁ SILÊNCIOS TÃO BONITOS...SE QUISER, POSSO ME RECORDAR DE UM: MELÓDICO NO CORAÇÃO, DOCE DE GOSTO E DE TACTO, QUENTE DE AMOR!
UM DIA DESTES, TOCARAM À CAMPAINHA. ABRI A PORTA. REPAREI QUE LÁ TINHAM DEIXADO UMA ENCOMENDA. VI O MEU NOME. ABRI. MANDARAM-ME UM SILÊNCIO! UM SILÊNCIO GRANDE DE MAIS PARA SUPORTAR... PRETO, GELADO, ASFIXIANTE, SOBERBAMENTE AMARGORADO. DEVERIA SER PROÍBIDO FABRICAR SILÊNCIOS ASSIM!

sexta-feira, agosto 03, 2007

Paris, je t'aime - Tour Eiffel (Sylvain Chomet)

Paris, Je T'aime - Faubourg Saint-Denis

Paris Je T'Aime

É este amar que nos torna maiores que tudo!

CORES QUE SE PINTAVAM








LEMBRASTE? ERAS AS CORES TODAS DO ARCO-ÍRIS E EU ERA AZUL ESCURO.

SÍNDROME DE STENDHAL






FRANCAMENTE, QUE QUERES FAZER DE MIM?




FAZERES-ME CONTRAIR A SÍNDROME DE STENDHAL, JÁ É DE MAIS!




(DESCOBRI FLORENÇA INTEIRA EM TI.)




NÃO IMPORTA O QUE PARA AÍ SE MOVE; ESTOU CIENTE DA TUA ESPÉCIE SOLITÁRIA, SEJA COMO FOR, "VOU TE SENTIR A FALTA".


ATÉ BREVE!
(PS: ADMIRO A TUA CLARIVIDÊNCIA.)


Baile dos Morcegos



É um bailado sonoro e vigoroso que os envolve, pentrado-lhes o coração, acelerado, as finas asas. Um "flamengo" animal de cor negra, um desejo que pulsa da alma: a vida, meus caros!

Mamíferos nossos; revolvendo o tempo também nós fomos morcegos, também eles Homens, assim dita a biologia evolutiva (o mesmo ancestral comum).

E vêm de noite, numa penumbra sonolenta, e dançam...tanto que dançam! À quem diga, que se estivermos suficientemente atentos que os conseguiremos ouvir cantar! É o canto da morte, meu amor...

Meia-noite: persinto-os lá fora (confeço: esperava-os, não só hoje, mas por tantas ocasiões), corro pelas ruas, as mesmas que calam o chinfrim dos Homens, à noite proclama-se "NATUREZA!", sei como estão perto - sinto o peito fulminar!

Avisto-os e que belos! Morcegos, morceguitos, em uníssono, em "solo", um todo, um só, individualidades que transgridem as próprias características anómalas da recombinação genética, das mutações, da fecundação...não, é muito mais! São artistas que amam uma consciência inconsciente que desflora na inocência da dança; uma paixão, é isso, uma paixão... Vi como se superavam incessantemente, como actuavam Shakespeare, ou tocavam Chopin, Mendelssohn, Bach...Vi como nos desenhavam naquele céu estrelado, a mim e a ti; porque também nós nos superámos.

Reza a lenda que o "flamengo dos morcegos" é como o "solitário": um jogo imprevisível e enigmático, o jogo da morte!


"MANIFESTO"

4 DE PAUS
Pergunta-se: que probabilidade há de que algo possa surgir do nada? Ou ao contrário, claro: É possível que algo tenha existido sempre? Ou em todo o caso: é possível calcular a probabilidade de a matéria cósmica de repente ter esfregado, sonolenta, despertando para a consciência de si mesma?
1 DE PAUS
Existe um mundo. Em termos de probabilidade, é algo que raia os limites do impossível. Teria sido muito mais fidedigno se casualmente não tivesse havido nada. Nesse caso, ninguém se teria posto a perguntar porque não havia nada.
9 DE PAUS
O Beste é um anjo em apuros. Devido a um fatal mal-entendido, vestiu-se de carne e osso. Só quisera partilhar as condições dos primatas durante uns segundos cósmicos e teve a desdita de puxar a escada celestial e baixá-la consigo. Se a ninguém a recolhe, o relógio biológico irá cada vez mais depressa, e será demasiado tarde para regressar.
13 DE COPAS
Ao morrer, assim como a cena está fixada no rolo da película, e os cenários ruíram e arderam, somos fantasmas na lembrança que os nossos descendentes têm de nós. Então, somos fantasmas, querido, somos mito. Mas ainda estamos juntos, ainda somos um passado comum, um passado remoto eis o que somos. Sob um relógio de passado mítico escuto a tua voz.

Jostein Gaarder

quinta-feira, agosto 02, 2007

Simpsonizei-me!

terça-feira, julho 31, 2007

Eternidade

Já te falei em recordações, de como são pequenos cristais que se organizam numa malha de eterna saudade, ou então, de um pesar tão grande que se meteorizam e desvanessem; disse-te também que se tornam num leito acizentado moldado em toda e nunhuma forma, numa contelação difusa à qual pertencem um tanto de significados e "insignificados". Abarcamos um universo inteiro em nós, distâncias incomensuráveis, como anos-luz e unidades astronómicas, sabemos explicar como se deu a explosão do ovo cósmio e, no entanto, se te perguntar tão simplesmente quem sou eu não saberias explicar!

Achas que se emcontrasses a garrafa onde se encerra o liquido da eternidade o beberias de um só trago?

domingo, julho 22, 2007

PARA MIM!

(DE MIM PARA MIM):
You are one of God's mistakes
You crying, tragic waste of skin
I'm well aware of how it aches
And you still won't let me in
Now I'm breaking down your door
To try and save your swollen face
Though I don't like you anymore
You lying, trying waste of space
My, oh my
A song to say goodbye
A song to say goodbye
A song to say -
Before our innocence was lost
You were always one of those
Blessed with lucky sevens
And the voice that made me cry.
My, oh my
You were mother nature's son
Someone to whom I could relate
Your needle and your damage done
Remains a sordid twist of fate
Now I'm trying to wake you up
To pull you from the liquid sky
'Cause if I don't we'll both end up
With just your song to say goodbye
My, oh my
A song to say goodbye
A song to say goodbye
A song to say
Before our innocence was lost
You were always one of those
Blessed with lucky sevens
And the voice that made me cry
It's a song to say goodbye
(PLACEBO)

sexta-feira, julho 20, 2007

DIÁLOGOS D' "A CIDADE DAS FLORES" DE AUGUSTO ABELAIRA




-Porque acabou tudo entre nós, Giovanni?

-O quê? Ainda te recordas de que existiu alguma coisa entre nós?

-Porque havia ter esquecido?

-Tens pena?

-Não, não. Tenho pena no sentido de que, se tivéssemos continuado, estaria hoje casada, e assim não estou.

-O receio de ficar solteira?

-Não é o receio de ficar solteira. É o receio de que a minha vida continue sempre a mesma coisa.

-Crês que mudaria?

-Não sei. Provavelmente não. E nesse caso talvez seja, de facto, o receio de ficar solteira.

-Nunca cheguei a uma conclusão. Gostavas de mim?

-Não antipatizava contigo. E tu?

-Enquanto convivi contigo suponho que gostava. Suponho que não poderia passar sem ti. Lembras-te? Várias vezes terminámos tudo entre nós. Durante dois ou três dias em que tudo estava acabado, eu era terrivelmente infeliz. Infeliz, a sério, percebes? Não sabia como passar o tempo. Mas da última vez, quando foste passar as férias já não sei aonde, precisamente no momento em que nos zangámos, não tive remédio senão preencher o tempo e habituar-me a passar sem ti. E foi então, aí ao décimo dia sem ti...descobri que eras apenas um hábito que poderia ser substituído por outro hábito, e nada mais. Por outro mau hábito. Tinha aprendido a jogar xadrez.

-És cruel.

-Não.

-Curioso, nunca chegaste a ser para mim um hábito; nem bom, nem mau.

-Então?

-Quando me encontrava contigo, quase sempre preferia não me encontrar. Outras vezes gostava de ir, não por ti, mas porque me beijavas, porque me abraçavas...

-Mesmo no princípio, mesmo quando fomos a San Miniato?

-Não. No princípio gostei de ti.

-Tinhamos combinado ir lá, de manhã choveu...Mas tivemos sorte, a tarde pôs-se bonita.

-Passei a manhã a olhar para as nuvens.

-E eu.

-Mas nunca mais.

-Em vez de te encontrares comigo, que preferias tu fazer?

-Já não me lembro. Às vezes, não fazer nada, ficar em casa. Mas essa era também uma das razões por que eu gostava de estar contigo: sair de casa, dar um passeio.

-És cruel.

-Não.

-Ouve, Ana: se não fosse a tal questão...Não me lembro já o que foi, lembras-te?

-Vagamente.

-Se tu não fosses de férias nessa altura?

-Não tetias descoberto que eu era um mau hábito.

-E tu? Terias descoberto que eu não era nem deixava de ser...?

-Eu já sabia...

-És cruel.

-Não.

-Então?

-Deixarias as coisas continuar.

-Tens a certeza?

-Estaríamos hoje casados.

-Seria horrível.

-Porquê?

-Ainda mo perguntas?
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-Rosabianca, afinal não tens cabelos verdes!

-Verdes?

-Sim. Eu pensava...Pelo menos não podia pensar que não fossem verdes...E que não tivesses sido salva por mim do fogo!

-Do fogo?

-Sim. Porque te admiras? Do fogo. E nunca foste enfermeira.

-Enfermeira?

-Porque perguntas? Não posso gostar de ti, Rosabianca! Pensei que tinhas os cabelos verdes e que te salvava do fogo...Mas nada disso sucedeu.

-Giovanni! Se queres, pinto de verde os cabelos, subo para um quarto andar e deito-lhe fogo. Salvas-me?

-E fico ferido? Serás a minha enfermeira?

-Sim, se quiseres serei a tua enfermeira.

-Está bem, Rosabianca. Sobe lá para o telhado que eu vou deitar fogo á casa.









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-É verdade o que me afirmaste da outra vez?

-Que te disse eu?

-Que seria terrível se tivesses casado comigo porque então não seria fácil encontrares a Rosabianca.

-É verdade.

-E continuas a gostar dela?

-Continuo, Ana.

-E sentes que nunca mais poderás gostar de outra mulher?

-Sinto.

-Deveras?

-Não sei.

-Vas casar com a Rosabianca?

-Não sei, não sei. Amo a Rosabianca, mas às vezes penso que isso não significa que seja incapaz de amar as outras ao mesmo tempo.

-Que esperas da Rosabianca?

-Esta noite voltei a sonhar que salvei do fogo uma menina com cabelos verdes. Nunca te contei?

-Serias capaz de voltar a gostar de mim, Giovanni?

-Não.

-Serás um dia capaz de voltar a gostar da Rosabianca?

-Que queres dizer?

-Que não tenhas ilusões, Giovanni. Dentro de dois meses as tuas hesitações serão ainda maiores. E, de repente, descobrirás que a deixaste de amar. Não saberás como foi, mas será assim. E verás então: o que sempre te interessa não é o amor conquistado, mas o esforço para o conquistares. Ou melhor: amas o momento em que o amor se inicia, é a infância do amor que tu amas, as hesitações do princípio. Porque não te fazes alpinista?

-Não, não é verdade. Amo a Rosabianca, nunca poderia deixar de gostar dela.

quarta-feira, julho 18, 2007

BURACO NEGRO


ESTOU QUASE A DESISTIR DE TE CONTAR COMO SE FEZ O UNIVERSO!
UM BURACO NEGRO, UMA MENSAGEM QUE SE CONSOME, QUE SE PERDE. SERÁ POR ISSO TÃO DIFICIL ENTENDER QUE GOSTO DE TI?
FICARAM SÓ AS TUAS PALAVRAS NUM PEDAÇO DE PAPEL! E ESSE PEDAÇO NÃO TO DEIXO EU LEVARES CONTIGO. ESSE FICA, LONGE DE TUDO, SÓ MEU, PARA SEMPRE!


SIM, PARA SEMPRE!

segunda-feira, julho 16, 2007


E SE ME CONTASSES COMO SE FEZ O UNIVERSO?


CONTAVAS SÓ A MIM?


PODIA SER O NOSSO SEGREDO...

RASGOU-SE. RASGÁMO-NOS. RASGASTE-TE. RASGUEI-ME!

domingo, julho 15, 2007

Aqui e Ali. No meu silêncio.


Vamos correr até à espuma dourada do tempo eterno, vem cá e beija-me! Vamos dissimular um EU em troca de segundos disparatados, que falam sem nexo, que se entendem numa paixão encarnada e viva! Vamos sabotar o sol e brilharemos mais, tão mais! Vamos contar as estrelas do céu e eu baixinho abraçar-te-ei...Um Universo que é nosso, um sonho só meu....
Sou-te como o mar...ao de leve deixo escorregar marcas do meu nome, que se desfragmentam e se apagam em ti: esboços de pegadas, sem memória!


Aqui e ali, no meu silêncio!




sexta-feira, julho 13, 2007


quinta-feira, julho 12, 2007

Lar doce lar

Tenho dois autocarros que me levam da estação para casa: o 188 e o 189. Antes de mais convém "pintar" este pequeno relato de cores, cheiros e formas que lhe são característicos, pois bem: ao sair da estação da Parede existe um pequenino largo onde ficam as paragens de autocarro e é também para lá que me dirijo todos os dias. Existem quatro paragens a que chegam vários autocarros; são paragens vulgares, com aqueles bancos característicos (sempre lotados), todos as três à sombra, já que são cobertas por grandes arvóres, que assim as protegem do sol. No entanto, a quarta paragem, onde pára o meu autocarro, não só fica deslocada das restantes, como também é a mais pobre de todas! Não é nada mais, nada menos, que um "mini passeio" que aflora no meio do largo alcatroado, sem banco, sem sombra, que ostenta uma placa de metal com um número inscrito: 188.
Faz sol lá fora, saí de casa bem cedo para tratar de burocracias enfadonhas (que não me parecem deixar em paz!), são 10:30 quando finalmente chego à estação. É só mais um pouco e estou em casa, o meu corpo não suporta bem o calor, estou esfomeada e cheia de sede, para além do mais preciso de me sentar, afinal de contas a viagem de comboio tinha sido feita toda de pé! Desloco-me para o tal largo e sem surpresas constato que não há um único lugar onde me possa sentar. "Bom, só espero não ter perdido a camioneta!", penso eu, pensamento legítimo, aqui os autocarros só passam de meia em meia hora, pelo menos os únicos que me servem. Mas, irremediavelmente o dito cujo já partira, o próximos só às 11:15. Espero. Espero. Espero! Ando para cá e para lá, desconsolada, quase estonteada pelo calor, com fome, cheia de fome, com sede, com muita sede. Todos sentados, eu de pé. As vozes daquela gente entram-me desordenadas, atropelando-se umas às outras pelo meu canal auditivo: alguém se queixava dos rins, alguém queria deserdar os filhos e ainda outro alguém desejava saber qual o autocarro a apanhar para o centro de saúde...e eu que só queria chegar a casa!
Por fim, lá surge ela aos solavancos - ah! a visão do paraíso! até que enfim. - todas as almas recolhidas à sombra se precipitam para o "mini passeio" que de um momento para o outro deixa de ter lurgar para mais ninguém. Forma-se a fila mais desorganizada de sempre, não percebo se começa pela direita, se pela esquerda, se pelo meio. Desisto de perceber, deixo-me ficar ao acaso. Mas, o autocarro ainda aqui não está porquê? estava mesmo a entrar no largo, o que é que aconteceu? Então reparo que do meu lado direito, mesmo encostado a esta ilha preechida alguém se lembrou de estacionar o carro, bloqueando a entrada. Como eu, todos protestam, a diferença é que eu interiormente e eles exteriormente. Gera-se uma algazarra pitoresca, as senhoras, todas elas com quadruplo da minha idade, com a mão na anca começam:
- Então mas esta gente não sabe que não se pode estacionar aqui?!
- Havia do autaocarro lhe passar o carro " a ferro" ! De certeza que da próxima nunca mais cá o punha.
- Oh Homem! Tire lá daqui a poracria do carro que eu quero-me ir embora, tenho mais que fazer!
- Haviam era de chamar a polícia!
Passados uns 15 minutos o dono do tão praguejado carro aparece, vinha carregado de sacos do "Pingo doce", mas nem isso o fez escapar da fúria daquelas mulheres, foi se embora o mais depressa que pôde. Resolvido assunto, era de esperar que a camioneta se aproximasse e nós podessemos embarcar, mas ela não se mexe, permanece imóvel ali e ninguem percebe porquê! O motorista anda de um lado para o outro e sem o poder ouvir adivinho-lhe a raiva pelo gesticular dos braços. Alguma coisa tinha acontecido...
Nós todas ali a torrar ao sol, impacientes, desejando quase perfurar as portas daquele vaículo e tomá-lo à força. De novo alguém começa:
- Olha, olha, olha! Agora não se mexe porquê? que falta de respeito, onde é que isto já se viu?! Tá aqui uma pessoa à espera, ao tempo que já deviamos tar lá dentro. Ainda tenho de fazer o almoço! Pior, tenho problemas de circulação não posso tar aqui...
- Agora tá a falar ao telemóvel, tá bonito tá, nem hoje saímos daqui!
- Vão "mazé" chamar uma parteira que o homem está a parir, olha lá a cara dele...
Sem mais nem menos o camionista abandona o autocarro e desaparece.
- Lá vai ele. Parece um foguete!
- Filho da puta!
Sem dúvida que tinhamos chegado ao pior grau de insatisfação daquelas senhoras, que cada vez faziam menos cerimónia quanto aos adjectivos a utilizar.
Estou cheia de fome não aguento mais e dirijo-me ao café mais próximo. Peço uma sandes de queijo, mas para variar põe sempre manteiga na sandes. O meu português não poderia ser mais claro, uma sandes de queijo não é uma sandes de queijo e manteiga! Enfim... quando volto de novo para o largo vejo que o 189 havia acabado de chegar; embora também possa apanhar este autocarro, o facto é que mesmo a paragem mais próxima da minha casa me obriga a percorrer uma distância ainda considerável até lá chegar...contudo, já sem paciência lá vou eu.
O autocarro está apinhado, mesmo para chegar a uma zona onde teria de ficar em pé invariavelmente era um tormento. Aquilo fazia lembrar uma feira, mas uma feira onde se vendiam conversas. Durante aquela viagem as coisas mais inacreditáveis aconteceram: mais que uma vez houve alguém que gritou para se calarem todos, que estava um "barulhão" insuportável, houve alguém que perdeu um saco de nabiças e andava de pessoa em pessoa a perguntar se o tinha visto, eu que estava de pé, e apesar de ser a mais nova dali, desiquelibrava-me constantemente, caíndo não sei quantas vezes no meio do chão.
Quando finalmente cheguei à porta de casa, ansiosa por lá entrar, sentir aquele fresquinho agradavel que só a minha casa consegue ter, ao perpara-me para rodar a maçaneta, percebo que não só não está ninguem em casa como a porta está trancada! Eu não acredito, estava tão próxima...ainda procuro os meus avós pelo quintal. Não, não estão mesmo em casa...
Ligo para o meu avó, ele diz-me para esperar que vem-me abrir a porta; poucos segundos depois aparece, vinha triste, apagado, o irmão tinha acabado de falecer.
O meu tio morreu!



segunda-feira, julho 09, 2007

Conseguiste!


Conseguiste, agora sou meramente um reflexo teu...Parabéns anulaste a minha exsitência em nome da tua.
Hoje, doravante, sempre, serei esta transparência mecânica.
Já sorris. Vamos, continua, não pares até eu ser aquela estrada macadamizada na qual corres até ao fim! O meu fim!


Parabéns!

terça-feira, julho 03, 2007

MAGOASTE-ME!

sábado, junho 30, 2007

Um beijo!



(Finalmente pude compreender a tua dor! Agora sim...)

Não importa quantos te olhem de lado, que te condenem, não é o teu corpo quebrado que te faz indigna, nem tão pouco a morte que carregas nas tuas mãos...Tudo te torna intensamente cativante!
Quantos se atreveriam a doar-se em puro à dor severa de Amar? E que confundam os teus ollhos esgazeados de locura com a incapacidade mental de raciocinar, porque ambos sabemos por quanta pobreza estão assombrados, essa tua magnitude em sentir é uma ode à vida que jamais ninguém soube dar!
E hoje, só hoje, posso ter-te, sei que não vais fugir, porque hoje, por hoje, cedi-te uma alma inteira para que te transfigurares nesse mundo real que não te entende! Sossega, hoje, saberei-te amar...Choraremos os dois!

A ti mulher esquecida!

sexta-feira, junho 15, 2007

Vou escrevendo devagar, devagarinho, em silêncio sonoro, em canto de vocábulos, em metáforas, hiperboles, sinestesias..Vou buscando isto aqui, aquilo ali, vou torcendo tudo em imaginação com laivos de realidade, na esperança que não a interpretes, para que continue na solidão uniforme, num monólogo sem plateia, cujo o destinatário está longe, tão longe...


Quero te guardar num recanto bem escondido de mim, na ânsia de te preservar numa realidade mais que cândida, só para que não vejas, não oiças, não toques, não percebas o antro dissoluto que me serve de molde: uma veste quebradiça e suja que me torna encardida, feia! Só para que não fujas, ergo um manto como a noite, mascarado com estrelas do céu que chamei para te ver sorrir...

quinta-feira, junho 14, 2007

Harmonia: Entropia e eu!


Todos os sistemas naturais, que ocorrem espontaneamente, tendem para uma maior entropia, ou seja, para um maior estado de desordem (2º lei da termodinâmica).

Finalmente encontro uma explicação plausível, ainda melhor, científica para o meu desiquilibrio!!!

A Física compreende-me, estou em harmonia!

quinta-feira, junho 07, 2007




E ficou de braço esquecido, erguido para o infinito, à espera de quem o agarrasse, de quem o afagasse com um calor de quem ama e não teme. Sim, esperou, espera!
Foi há tanto tempo que lá a deixei, num ímpeto de a preservar numa recordação inabalável, numa imagem cândida, que de outro modo apodreceria em mim...E fico fitando-a, absorta naquele figurino que exala um aroma sereno e musical de amor, e fico, fico só, fico julgando-a saber decor como nem a mim sei, fico crendo numa perfeição irreal, num amor que não se cança de amar.
Hoje despeço-me: fui feita de espuma salgada sem mar por onde se desfazer, fui erodida por um tempo àspero que "não me gosta"; cambaleando segura nos braços da solidão procuro a morte, sei tão bem que vem para mim! Em sussurro, murmura-me baixinho: "Vem dançar comigo.".Eu vou.

Silêncio!!! Deixem-me morrer aos pouquinhos...




terça-feira, junho 05, 2007

Está a Trovejar...



Troveja e tanto que troveja!

Fico imobilizada, assustada, porque este som austero cinge-me com força e eu, bem pequenina, cerro os olhos na esperança do ingnorar, como se não soubesse já de antemão que voltaria...

Troveja e tanto que troveja!

Troveja em mim.

domingo, junho 03, 2007

Está a Chover...



Vou fechar os olhos, vou suster a respiração, vou correr, vou parar, vou saltar, vou gritar...e querendo fazer tudo, acabo a não fazer nada...Enquanto chove só resta esperar.
Tanto que chove; se quisesse contar todas as gotas que em mim caem ameaçadoramente, pediria por uma vida eterna: organizá-la-ias por tamanhos, por tonalidades de transparência e talvez acabesse por amar este estado de incerteza e frieza!
Chove tanto, chove em mim!




sábado, junho 02, 2007

O MUNDO É UM PALCO




"O mundo é um palco:


E todos os homens e mulheres simples actores: têm as suas saídas e entradas, e, em vida um só homem tem vários papéis, tendo os seus actos sete idades. Primeiro o infante, berrando e bolsando no colo da ama; depois o aluno lamuriento, de sacola e cara lavada, pela manhã, arrastando-se contrafeito para a escola; depois o amante, suspirando como um fole, com uma balada triste para as sobrancelhas da amada. Depois o soldado, de juras estranhas e barba pantera: cioso da sua honra e pronto para a luta, procurando essa bola de sabão chamada glória, mesmo na boca de um canhão. Depois vem a justiça, de bela barriga inchada à custa de capão, de olhos severos e barba bem cortada, todo ele é provérbios sábios e lugares-comuns; E assim cumpre o seu papel. A sexta idade vem de calças magras e chinelos, óculos na ponta do nariz, bolsa a tiracolo e grevas conservadas da juventude, imensas para as pernas mirradas; e o seu vozeirão másculo, regressando ao tremor da infância, modula-se em chiadeira e assobios. A cena fecha, esta estranha e acidentada história é a segunda infância e total oblívio, sem dentes, sem olhos, sem gosto, sem nada."


Foi assim que Shakespeare olhou o mundo, foi assim que Shakespeare tornou real a analogia perfeita da vida das mil e umas personagens: oh teatro, nós curavamo-nos perante ti!




Lembro-me ainda de quando o início se fez anunciar ao grande palco, foi sublime porque me trouxe para junto de todos vós: as personagens mais pitorescas que podiam contracenar por todos este actos (vividos e por viver)...

Ao início seguiu-se tantas outras cenas, fomo-nos tornando aos poucos mais modelados, a nossa centralidade foi-se revelando, estávamo-nos,inconscientemente, interprentando-nos simultaneamente, estávamo-nos adornando em vestes coloridas e com um gosto saudoso de perenidade: dera-se forma à amizade; e nesse dia, outrora e agora, fora Ela que brilhara nas luzes da ribalta!

Multiplicamo-nos em tantas outras vidas, de súbito pintavamos a mesma obra que Deus e das nossas mangas faziamos deslizar laivos de humanidade: O Berto, O trabalhador 1, 2 e 3, o Vladimir, o Estragon, o professor e a rapariga, a Momina, a Diva, a Cassandra...tantos, mas tantos...
Que não sejam esquecidos todos os ensaios, todos os improvisos surreais que se arrastavam até à uma da tarde, todas as vezes que um simples olhar nos condenava ao riso desmedido, todas as conversas ao fundo da sala( essas que se pronunciavam sempre de mansisnho até que lhes perdiamos o controlo e,sem menos esperar, eramos silênciados, em tom de reprovação), todas as falhas de texto, mesmo as de palco, todo o nervosismo que fazia amarmo-nos um pouco mais, todas as vezes que me faltou a voz (lamento), todos os exercícios de relaxamento da Mariana, todos os abraços da Élia, todas as pizzas do Miguel e todo o seu animo, todas as gargalhadas da Elisa, todas as palavras sábias da Leonor, todas as histórias da Raquel, todo o cepticismo do Jorge (que nos mantém de uma forma ou outra numa agitação desenvolta), todo o stress da Ana, mas toda a sua ternura para connosco, todos os sorrisos da Madalena, Rita, Inês, Mariana Prazeres, Martim,José, Sara: ali somos um Todo que não se cança dos mesmos rostos, nem das mesmas piadas, temos o gosto de cada um cravado na alma.

Um dia serei eu que vos admirarei sentada na fronteira, que agora nos torna irmãos, aplaudir-vos-ei, com muito gosto, com tanto gosto...Com toda a certeza brilharam, já fazem-no!

Gosto de todos vós! "Gosto-vos" com um gosto mais apurado de felicidade.

Esta é a minha última cena, trago comigo saudade, saudade, saudade...!








O SONHO


Quem contar


um sonho que sonhou


não conta tudo o que encontrou


contar um sonho é proibido.




Eu sonhei


um sonho com amor


e uma janela e uma flor


uma fonte de água e o meu amigo.




E não havia mais nada...


só nós, a luz, e mais nada..


Ali morou o amor.




Amor,


amor que trago sempre em segredo


num sonho que não vou contar


e cada dia é mais sentido


Amor,


eu tenho amor bem escondido


num sonho que não sei contar


e guardarei sempre comigo.




Música perfeita dos Madredeus...


Um regalo aos tempos em que te amei em segredo.

segunda-feira, maio 21, 2007

Murmúrio

Gostava de saber inventar palavras sussurradas, silenciosas, que apenas só eu as soubesse ler, gostava de sabe-las dizer sem sequer, por um leve instante as verbalizar...no fundo do que tenho medo é fazê-las reais, palpáveis, universalmente entendidas. E contudo, se as escrevo é porque de alguma forma já não as consigo reter: escorregadias, deslizam-me da mente, comandam-me o ser, sobre o puro ultimato de o sufocar! Quem sabe se não fosse o melhor...é bom conjecturar...
Já as quiz racionalizar, medir-lhes os excessos e os defeitos, quantificar o seu desastre, equacionar a sua eficácia, mas com efeito ou me segaram ou então revelaram o meu caracter de ser não-pensante. Impulsionadas por uma vontade de não sei onde, que quer fazer não sei o quê, que me penetra com incomensuráveis sentimentos - chego a odiá-los- que me conduziram a um permanente estado de embrieguez mental!
Nunca mais!

terça-feira, maio 01, 2007



Estou de folga, quando naufragar darei notícias...Ate lá...

domingo, março 25, 2007

Ainda continuo à tua espera...


Ainda continuo à tua espera...

Quando era pequena costumava ter medo que não voltasses para me buscar, mas hoje sei, efectivamente, que nunca o fizeste, pelo menos em espírito, e eu tive de sempre ir para casa sozinha...Hoje grito, estás mesmo ao meu lado, mas insistes em não me escutar...Um dia calo-me e tu vais continuar aí sentada, em pose elegante, com o teu "pathos" sensual...

A diferença para ti é que eu nunca existi, em quanto para mim a tua presença só se apaga com o sabor amargo da morte!

terça-feira, março 20, 2007

Se eu tivesse um piano onde tocar, faria de tudo para lhe contar uma história de agudos e graves, que seria de Amor!
Comprometer-me-ia em desenhar-te no som de tons que só poderiam cantar a soberba alegria em te conhecer! Faria uma sonata, num compasso seis por oito (não sigo regras, sigo o maestro que me conduz: amar-te.), num pianíssimo eterno, para que só nós escutássemos, notas cantadas do meu coração para o teu. De repente, mudaria o tom para "forte" e em acordos definidos, um Amor do tamanho do Mundo soltar-se-ia na fusão do teu corpo no meu...Por fim um "subito piano rallentando molto", para terminar de novo pianíssimo, porque meu Amor, para mim no mundo só à espaçao para a tua e a minha existência....
No final orgulhar-me-ei em ter escrito a sonoata mais incompleta de todas, o engenho da perfeição não se fez para os Humanos usarem-no, mas a contradição existe em ti, que de tão perfeito que és, tornas-te indefenível nesse absoluto da perfeição...Mesmo assim será a sonata mais bela de todas, que Amor feito da eternidade como o meu só pode existir por ti...

Por aí


Sinto-me perdida numa embarcação á deriva no tumultuoso mar, pronto a devorar-me a cada instante! O meu corpo está nessa madeira escorecida, podre e frágil...Desfragmentar-me-ei sem conserto e no infinito oceano jamais me encontraram...

Vou morrer para sempre... A vida como essa embarcação sem retrocesso, eu como um naufrágio iminente!

domingo, março 11, 2007

A fuga




Estás sempre a fugir de mim...estou sempre à tua procura...


Estás sempre a fugir de mim...estou sempre à tua procura...



Estás sempre a fugir de mim....

Sem nexo




Perdi-me no segundo do tempo que, incerto, me levou para onde não queria ir...


Agora estou onde não devia estar, numa constelação suprajacente ao tudo em que quis caminhar...


Não há ninguém que me tire daqui?


Se pedires flutuo contigo num cometa de sonhos com gosto ao vermelho de um coração nosso, se pedires...se pedires....


Não brinques comigo às escondidas, não sei jogar, já viste se não te souber encontrar? e se tu não me quiseres procurar?


Dói estar sozinha....


Então


faz


me


um


favor


leva-me


daqui


para


ti!


domingo, fevereiro 18, 2007

O que me apetece dizer...




Estou aqui à tua espera, sabe-lo bem! Sabes também que o tempo não me assusta, nem nas suas vestes de caveira, nem no seu ultimato de morte, estou sempre neste Amor Eterno! Sabes que te amo, sabes que só me resta um esboço de existência na tua ausência...Sabes que nesta minha maneira complicada de escrever, na minha trapalhice em falar, sabes que o que te quero falar é que te AMO tanto e para além da minha vida, que, sim, não vivo sem ti! Sabes, não sabes?


Tenho Saudades, mas nem as lágrimas da distância dissipam o teu sorriso de mim...

sábado, fevereiro 17, 2007

O prédio (I)


Mudara-se não faz muito tempo, não tanto por vontade, mas antes por obrigatoriedade, a tal obrigatoriedade que o fazia acordar celeradamente todas as manhãs, pela alvorada, aquele mesmo ímpeto com que mecanicamente abria a porta do carro para depois se fachar num escritório. Mudara-se por aversão aos quilómetros, pelo prejuízo na gasolina, pelo acréscimo de vocábulos pejorativos, enquanto esperava impacientemente numa recta de trânsito (sem princípio nem fim).
A habitação até era simpática, um pacato prédio situado nos arredores de Lisboa que o permitia estar a pouca distância de tudo, ou melhor, de quase tudo. Um segundo andar direito, foi esta a morada que lhe coube. No primeiro dia em que se instalara convenientemente, conheceu Dona Alinda, senhoria do prédio, mulher dos seus setenta e tais, de perfil atarracado, com umas mãos que acusavam a artrose de longos anos. Rapidamente se apercebeu que conquistar a bondade da senhoria seria imprescindível se quisesse permanecer na sua serenidade; a mulher sabia de tudo e todos naquele prédio e acaso os moradores não preenchessem os requisitos necessários, então metia a mão na anca, aguçava a garganta e a rixa só findava no momento em que nenhum vestígio sobrasse do maldito demónio, como costumava referir. Ficou a saber que, acerca de dois anos, teve ocasião de lá murar um jovem universitário que estudava para veterinária. O rapaz era muito avivado, característica que logo identificou D. Alinda e que depressa lhe fez torcer o nariz e rezar três Ave Marias pela sua"alma desgraçada"; usava um piercing na sobrancelha e gostava de música barulhenta, chegava tarde e a más horas, incomodando-lhe o sono (ou ressonar), a cada dia era uma rapariga nova, todas elas de trajes despenados. A situação desgostava a mulher, cuja mentalidade estagnara desde a altura em que em menina ainda brincava no campo, e sem meias medidas determina a expulsão do moço. É claro que o rapaz não se manteve impávido perante tal decisão, alegou que com a renda sempre paga a cada mês ninguém o poderia tirar dali. Seguiram-se discussões atrás de discussões, quase intermináveis não fosse o estudante ter o infortúnio de lhe dizer que esta era pior que os porcos que estava habituado a tratar e que nem as vacas faziam tanto barulho quando era necessário vaciná-las, quanto ela a gritar. Foi então que D. Alinda arregaçou as mangas, pôs a mão na anca, pegou na vassoura e numa expressão, que dita entre os soluços nervosos, "vais ver se não te apanho meu menino", desatou a correr atrás do desgraçado que nunca mais apareceu se não para retirar os seus pertences, actividade que foi supervisionada pela mulher, pois que afirmava que "com estes não há que fiar". Contudo, os anos levaram-lhe o marido trabalhador e trouxeram-lhe uma reforma mísera que a forçava a aceitar todo e qualquer "mafarrico". Era o caso dos "honrosos" vizinhos do 1º Direito, um casal jovem, apologista de uma vida mundana e leviana e com uma relação um tanto ao quanto controversa. As discussões entre ambas eram dignas de uma novela mexicana: ouvia-se gritos, insultos, desaforos perdidos, choros compulsivos, a materialização de toda a erupção da cena para a porta que a muito custo lá ia se mantendo de pé, um "sai da minha vida", depois um sonoro "Odeio-te!", para depois e tão inexplicavelmente como a briga havia começado, caírem nos braços um do outro num Amor que só visto! O espectáculo cessava com os gestos de desaprovação de D. Alina, que entre outras coisas ia murmurando "aqueles os dois ainda dão cabe de mim, valha me Nossa Senhora!".

Como meio de assinar um tratado de tréguas com a Senhoria, antes que se tornasse imprescindível, Amadeu tratava de sempre cair-lhe nas boas graças. Para isso era fundamental nunca esquecer o "Bom dia", mostrar sempre e a qualquer custo um sorriso, mesmo que o tema de conversa fosse as novas peripécias da novela das nove, jamais hesitar os naprons que lhe oferecia, pois faze-lo seria provocar-lhe um ataque de asma nervoso e proclamar o inicio da terceira guerra mundial. Ter tudo isto sob controlo e sairia ileso!

Mas foi o que havia sucedido na semana passada que o havia trazido a eterna paz; devido a uma ventania tumultuosa, a TV da D. Alina estragara-se no instante mais desapropriado. Eram nove horas. A santíssima novela havia começado e D.Alina furtada do seu mais que tudo! Quando Amadeu chegou, viu-a numa tristeza imensa, quase podia jurar que a pobre coitada havia de cair do vão de escada, por isso correu a seu alcance. A meio fôlego, ela lá lhe revelou a desgraça, arregalando os olhos em pedido de desespero. A cena era digna de tragédia, mas escrita em tom de comédia e tentando não mostrar toda a ridiculariedade de tudo aquilo lá se ofereceu para concertar o aparelho. Doravante, Amadeu era mais que o vizinho, havia-se tornado "no rico menino" de D. Alina.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Obrigada!




Hoje não ganhei uma Rosa...Ganhei sim, mas não foi hoje! Ganhei-te numa tarde bela e abençoada que sorria, ganhei-te para sempre! Não ganhei a lotaria, ganhei o que de melhor se podia gamhar, ganhei-te!

Agora!






Sem rodeios, sem floreados metafóricos, sem comparações e personificações vanguardista (ou eruditas), digo: Hoje sinto-me Triste! e se há pecado nisso, então deixai-me no mais fundo do quinto dos infernos...Deixo o paraíso aos mais crentes.


E se estou triste, estou triste, e se sou melancólica, sou melancólica, e se me olham como um poço de amarguras, prometo escavar mais fundo, para que ao me espreitarem vejam tudo quanto não sou...prometo! E hoje, sim, estou triste!


A febre que me toma o corpo, que me torna sombra indolente e rastejante, lança-me num mar de embriaguez, onde flutuo sobre o mais fino e quebradiço grão de vida. As palavras, essas palavras não faladas, palavras soluçadas, que se contorcem por sair num exacto instante, que se projectam num grito exausto, são palavras de uma mente que não sabe satisfazer uma realidade lisa e impávida. Deitar-me? Deito-me. Eis os pensamentos em eterno rodopio, misturam-se em memórias cruéis que ao fechar as pálpebras, tomam o sinal e puxam o gatilho do pesadelo. Então vou permanecer estática; então? Hoje estou triste!


Mas, se hoje digo o que somente se concretiza num exacto momento, se falo honrosamente na palavra "verdade", a verdade é que essa febre, esse delírio e dilúvio não existem, por alguma razão permaneço conscientemente escrevendo um "ode" a um sentimento, que verdade seja dita, não é de todo tão magnânimo...Pois que não seja, que venha apenas em pequenas porções, se o sinto, sinto...sofrer também é um sufrágio universal e hoje, Hoje é um daqueles e particulares tempos em que não concorro à abstinência!




terça-feira, fevereiro 06, 2007

Soneto do AMOR TOTAL












Amo-te tanto meu amor... não cantes


O humano coração com mais verdade...


Amo-te como amigo e como amante


Numa sempre diversa realidade.





Amo-te enfim, de um calmo amor prestante


E amo-te além, presente na saudade.


Amo-te, enfim, com grande liberdade


Dentro da eternidade e a cada instante.





Amo-te como um bicho, simplesmente


De um amor sem mistério e sem virtude


Com um desejo maciço e permanente.


E de te amar assim, muito e amiúde


É que um dia em teu corpo de repente


Hei de morrer de amar mais do que pude.





Escrito por Vinicius de Morais, para um tempo futuro que agora se fez presente; adivinhou-me as palavras, antes que tas pudesse dizer...

Eterno






Sabia do Tempo como sagaz contador da existência;na ampulheta da vida, escorrem os grãos de areia, finitos grãos de areia, que juntos fazem o rebordo de uma vida, da minha...O Tempo sabe que se o contar fosse feito por cada um, muitos seriam os grãos usados, mas poucos os utilizadores; a areia que escorre é o tempo contado de uma bênção verdadeira: somos um joker num imenso baralho de cartas que nunca chegaram à grande mesa!
Meu Joker escorreu da manga de um grande ilusionista, erro tremendo, só ele não sabia, ou assim julgava eu; pôr neste jogo trivial tão ignóbil carta, é arriscado de mais. Ficando ciente deste fatídico acto insano, quis por fim à minha jogada, perder-me do baralho, ser carta jogada sem mais jogadas. Mas, o ilusionista tem mais truques na manga, adivinhando-me, lança-me diante a carta inegável que escorre em todas as ampulhetas: fez me amar! E amar é fácil, amar não custa, amar pode ser tão simples quanto respirar, mas é amar-te assim, é seres Tu de entre todas as cartas do Universo que torna Amar na mais bonita forma de vencer o tempo: torna amar numa eternidade!




Desculpa, mas não consigo não te escrever nada, é mais forte que eu!








quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Sem o que dizer...

Estes últimos tempos têm sido frenéticos, bastava os dias passarem a ter 48 horas e eu seria feliz (isto no sentido de poder fazer tudo quanto planeio, porque noutros aspectos sou bastante feliz, se não a mais feliz...).
Como de costume, e como confirma a minha humilde existência de aluna, os testes são marcados às cavalitas uns dos outros, por mais que os períodos alarguem ou encolham, o que significa uma divisão ajustada do tempo por todas as disciplinas, tarefa a qual eu não é o meu forte. Conclusão, no final desta maratona de estudo vou parecer um "zombi" anémico, picado pela mosca de tsé-tsé! No entanto, e como há que sempre ver o lado bom das coisas (outra tarefa para a qual não tenho muita aptidão, tendo mais para o pessimismo), a verdade é que ao terminar serei intelectualmente mais rica, se não vejamos:




  • Filosofia: Aprendi que a retórica surgiu no século V a.C. na Grécia, adquirindo maior importância em Atenas, onde a Democracia mais se popularizou. Em consequência surgiram os sofistas, auto intitulados como "mestres do saber", que ensinavam a oratória (arte de bem falar), ou seja a retórica. Os sofistas davam maior importância à forma do discurso do que às ideias nele contido, o que os levava a construir discursos vazios. Surgem então dois filósofos que se opuseram contra a doutrina dos sofistas, foram eles Sócrates e Platão. Contestaram a concepção de verdade( a verdade deveria ser absoluta, universal e eterna), o sistema político(a cidade devia ser governada por um "filósofo-rei) e o modo de ensino(deveria se apostar no culto da alma, ou seja a procura da sabedoria e verdade, através da dialéctica ascendente)...O que eu poderia dizer sobre o que aprendi, mas não me vou estender mais.

  • Biologia: Existem dois modelos que pretende explicar a evolução de células procarioticas para eucarioticas: O modelo Autogénico e Endossimbiótico. O primeiro defende que o sistema endomembranar, os cloroplastos e as mitocôndrias surgiram por invaginações da membrana plasmática e o segundo distingue-se deste pelo facto de considerar que os cloroplastos e mitocôndrias provêm de seres procariontes que foram integrados na célula por relações de simbiose, que se foram tornando tão necessárias aos dois organismos até ao ponto de um não viver sem o outro. O mais consensual é o Modelo Endossimbiótico. Lamark foi um importante evolucionista, embora a teoria hoje aceite seja a de Darwin. Lamark acreditava que para se adaptarem ao ambiente os seres vivos desenvolviam mais certos órgãos em detrimento de outros, passando depois estas características á descendência, o que significaria, por exemplo que as girafas têm um pescoço tão cumprido pelo esforço de o esticar. A unidade de evolução é a população e não o indivíduo, etc...

  • Geologia: As barragens não constituem soluções viáveis pois diminuem a quantidade de sedimentos que chegam à foz de um rio, o que trará consequências negativas, entre elas o recuo da costa; As rochas sofrem meteorização, química e física, e só depois erosão; a meteorização física ou mecânica ocorre por: termoclastia, haloclastia, crioclastia, acção dos seres vivos, acção da água, alívio de pressão (diáclases ou disjunções esferoidais); o mineral mais duro é o diamante; uma substância só é um mineral se: for sólido, inorgânico, natural, de estrutura cristalina, com composição química bem definida ou variável em certos limites; substâncias que reúnam todas estas características mas não possuam uma estrutura cristalina são chamados mineralóides, é o caso da opala, etc...

  • Física: O som propaga-se por ondas mecânicas e longitudinais; as ondas electromagnéticas propagam-se todas à velocidade da luz, sendo vibrações causadas por alterações nos campos magnéticos e eléctricos. O vector campo magnético é sempre orientado de sul para norte; o fluxo magnético é fechado; a alteração num campo magnético gera um campo eléctrico e vice-versa, por exemplo quando se faz circular uma corrente eléctrica numa bobina, gera-se um campo magnético que ao ser alterado pelo movimento de aproximação ou afastamento de um íman, se altera e faz variar a tensão nos terminais da corrente, gerando uma força electromotriz induzida; se o vector campo magnético que atravessa uma espira fizer um ângulo de 90º com a normal ao plano, então o fluxo magnético é nulo. Para transmitir sinais a longas distâncias recorre-se à modelação de ondas sonoras em ondas electromagnéticas, sendo essa modulação feita em amplitude (AM) ou frequência (FM); Quando uma onda incide numa superfície, essa mesma onda pode ser reflectida, absorvida ou refractada; ao ser refractada a onda altera a sua velocidade, trajecto e comprimento de onda; quando a onda incidente faz com a normal do plano certo ângulo que faz com que o ângulo de refracção seja de 90º, então a partir daqui se o ângulo de incidência aumentar ocorre a reflexão total, que é o que acontece nas fibras ópticas, utilizadas por exemplo em medicina em exames como a endoscopia. Um sinal analógico é uma função contínua no tempo, enquanto que um sinal analógico é uma função descontínua, sendo composta por um código binário; assim, enquanto um sinal analógico é transmitindo pela propagação de ondas electromagnéticas, que assim ficam sujeitas às distorções externas (como as más condições atmosféricas), um sinal digital propaga-se por pulsos eléctricos, sendo assim mais resistentes às distorções, etc.


Tendo em conta que não escrevi tudo quanto aprendi, já é alguma coisinha não é?



Se eu votasse...







Ao longo destes últimos tempos, e com o referendo a chegar às portas, o assunto da ordem do dia é o aborto. Este tópico, que vive de muita controvérsia, move verdadeiras multidões; todos têm uma opinião, todos, de forma muito imperialista, defende de unhas e dentes os argumentos que justificam a sua posição...ora a questão assenta exactamente no pronome possessivo feminino da oração anterior (sua), é que quando se delibera em questões que afectam não apenas a nossa individualidade, mas também a de outrem, há que deixar de lado o nosso Eu narcisista e, nem que seja na mais pequena fracção de segundo, olharmos para o Outro como um Outro de existência tão preciosa quanto a nossa, há que lhe conferir máxima importância, no fundo exercer a tolerância.


Neste sentido, é imprescindível considerar critérios universais, valores que possam ser cumpridos por toda a sociedade e que, da melhor forma, possam servir os interesses da maioria; se assim o é, como é possível e louvável não reconhecer, pior, não compreender o sofrimento, a angustia, ansiedade que é ser confrontada com uma gravidez não desejada? Nem toda a gravidez é planeada e não é por isso que muitos casais não deixam de ter filhos, antes pelo contrário, e que fique bem claro que para mim esta é a melhor das resoluções, contudo nem todos estão na posição de sustentar e criar uma criança e a verdade é que nem todos o querem fazer; a realidade, embora dura, é que não é uma lei que penaliza as mulheres por realizarem o aborto que vai remediar, ou por outra, contornar a questão. Essa lei tem existido e até hoje o problema se mantém de pé, a única coisa que se tem feito foi dissimular e contornar os rebordos com uma moldura mais elegante. Por hipocrisia, vamos permitir que 5.000 mulheres, por ano, em Portugal, sofram de complicações, consequência de abortos mal feitos? E vamos considerar que uma mulher seja condenada pela prática deste acto? Não me parece que seja a melhor solução, até porque quem toma a decisão de abortar, que nunca é feita de animo leve, fá-lo-á independentemente da legislação implementada, com a diferença de que se continuarmos a insistir no que até aqui então temos feito, o número de mulheres vítimas de abortos mal feitos só terá tendência para aumentar.


Há que considerar que o que está em causa é a D-E-S-P-E-N-A-L-I-Z-A-Ç-Ã-O do aborto, o que não é sinónimo de pura liberalização, como muitas vezes os partidários do "Não" querem fazer parecer, de resto o seu único argumento mais ou menos válido é o de que um feto é uma vida humana. O facto é que essa é uma afirmação apenas verosímil, o que não se traduz totalmente na verdade, porque os critrérios utilizados para definir o que é uma vida humana são ainda um campo obscuro da ciência. Oiço muitas vezes dizer que "ali bate um coração", mas então porque não considerar também um assassino a quem decide "desligar a máquina", da qual depende um ser humano em coma? Para quem não sabe, em estados de coma profundo, embora o indivíduo não registe actividade cerebral, o seu coração continua a bombear sangue...Como definir o que é a vida e a morte? Talvez se soubéssemos responder a esta questão, todo este tema seria de resolução muito mais fácil...


Seria bom que a questão do aborto nem existisse, mas a verdade é que ignorá-la é predispormo-nos a viver numa utopia; ela existe e se existe há que admiti-la e não reforçar a tamanha hipocrisia de quem pretende não tomá-la como realidade.